Dinamarca vai devolver ao Brasil um valioso manto de penas indígenas do século XVII
A Dinamarca vai devolver ao Brasil um valioso manto de penas do povo indígena tupinambá do século XVII, anunciou na quarta-feira o governo brasileiro.
A peça está na coleção do Museu Nacional da Dinamarca e a sua origem remonta à presença holandesa no Brasil no século XVII, segundo informaram os ministérios brasileiros das Relações Exteriores, da Cultura, da Educação e dos Povos Indígenas num comunicado conjunto.
"O retorno ao Brasil desse acervo cultural é representativo do atual momento de afirmação da riqueza, da importância e da diversidade cultural brasileira, tendo a cultura dos povos originários como base essencial desse património", lê-se no comunicado do Governo brasileiro.
"O Governo brasileiro felicita e agradece o Governo dinamarquês e o Museu Nacional da Dinamarca pela aprovação da doação, que tem grande valor físico, cultural e espiritual para os povos originários brasileiros e, especialmente, para os Tupinambá e contribuirá para o resgate da história e da cultura dos povos indígenas nacionais", acrescentaram as autoridades brasileiras.
O Museu Nacional da Dinamarca vai devolver o raro manto de penas ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, que está a ser restaurado depois de um incêndio devastador em 2018 ter destruído 85% do acervo de 20 milhões de peças, então considerado o maior museu de história e ciências naturais da América do Sul.
De acordo com o governo brasileiro, a ação foi possível graças aos esforços da embaixada brasileira em Copenhaga, que colocou as duas instituições em contacto para iniciar as negociações.
As autoridades brasileiras também estão a tentar pôr fim a uma disputa com a França este ano sobre a presença "irregular" de mais de 600 artefactos indígenas no Museu de História Natural de Lille.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) emprestou o conjunto de peças em 2004 com data de devolução para 2009, o que nunca aconteceu, segundo o Brasil.
Este atraso na devolução da rara e única coleção indígena deu origem a um litígio em que intervieram o Ministério Público Federal e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil, e que tudo indica que será finalmente resolvido este ano.