Diplomata da Guiana supera costa-riquenha Grynspan em segunda votação para líder da ONU

Diplomata da Guiana supera costa-riquenha Grynspan em segunda votação para líder da ONU

A diplomata da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett ultrapassou hoje a costa-riquenha Rebeca Grynspan na segunda votação do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre os candidatos a secretário-geral da organização, segundo fontes diplomáticas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Eduardo Munoz - Reuters

Rodrigues-Birkett, atual embaixadora da Guiana na ONU e a mais jovem dos oito candidatos em competição, foi quem recebeu mais apoio, com oito votos a favor, três contra e quatro "sem opinião" dos 15 membros do Conselho de Segurança.

Por sua vez, Grynspan, a favorita na votação anterior e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), recebeu sete votos favoráveis, quatro contra e quatro "sem opinião", numa votação à porta fechada.

Este resultado representa uma perda de apoio para ambas as candidatas, em comparação com a primeira votação, realizada no final de julho.

Tradicionalmente, as candidaturas dos favoritos perdem força na segunda e terceira votações informais.

A segunda votação também foi pior para o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que recebeu o apoio de sete membros do Conselho, mas viu os votos contrários subirem de dois para seis face à primeira ronda.

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet também recebeu seis votos contra, e o ex-presidente senegalês Macky Sall e o diplomata ugandês Olara Otonnu receberam cinco cada, segundo a agência espanhola EFE.

Nesse tipo de votação, os membros do Conselho recebem um boletim em branco no qual podem optar por votar a favor, contra ou "sem opinião".

Após a conclusão deste formato de votação, o Conselho de Segurança vai realizar outro, no qual os cinco membros com poder de veto votarão numa cédula vermelha e os outros dez numa cédula branca.

Um voto num boletim vermelho elimina um dos candidatos da disputa.

Os resultados não são divulgados oficialmente, mas têm acabado por ser divulgados por fontes diplomáticas à imprensa.

No entanto, não é conhecido voto de cada membro, o que mantém em segredo a opinião dos cinco Estados com poder de veto: França, China, Rússia, Estados Unidos e Reino Unido.

Entretanto, a equatoriana María Fernanda Espinosa permanece entre as possíveis candidatas a suceder António Guterres, com quatro votos a favor, três contra e oito sem opinião.

A também equatoriana Ivonne Baki, cuja candidatura foi oficialmente anunciada esta semana e mantém há anos uma relação próxima com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não recebeu qualquer voto a favor, obtendo oito votos contra e sete respostas de "sem opinião".

Oito candidatos disputam a vaga para suceder António Guterres, que deixará o cargo no final do ano, após dois mandatos de cinco anos.

Seguindo uma tradição geográfica nem sempre respeitada, a América Latina disputa a posição desta vez, o que explica o facto de a maioria dos candidatos ser deste continente.

Muitos países também defendem que uma mulher deve ocupar o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.

A decisão final dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU (cinco permanentes e dez não-permanentes) poderá estar finalizada entre agosto e outubro.

Espera-se que no final deste ano a Assembleia Geral da ONU formalize a nomeação, mas a data ainda não foi fixada.

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