Director executivo da BP pede desculpas por comentário "impensado"
O director executivo da BP pediu desculpas pelos comentários que fez a uma cadeia de TV americana relativamente à maré negra no Golfo do México. Depois de lamentar os inconvenientes causados pelo derramamento de petróleo, Tony Hayward disse que "ninguém mais do que ele" quer ver a questão ultrapassada. "Quero a minha vida de volta" disse o responsável máximo da petrolífera.
"Peço desculpas, e em especial às famílias dos 11 homens que perderam as vidas neste trágico acidente. Estas palavras não representam o que eu sinto acerca desta tragédia e certamente não representam os sentimentos do pessoal da BP, muitos dos quais vivem e trabalham no Golfo, e que estão a fazer tudo o que podem para resolver o problema", escreve o director executivo da BP.
"A minha primeira prioridade é a de fazer tudo o que pudermos para restaurar as vidas das pessoas da região do Golfo e das suas famílias, para restaurar as vidas deles e não a minha", concluiu.
O comentário que levou a este pedido de desculpas foi a ultima de uma série de declarações polémicas feitas por Hayward, entre as quais a de que o derramamento petrolífero no Golfo do México era "relativamente minúsculo", quando actualmente a maré negra é considerada, de longe, a pior na história dos Estados Unidos.
Petróleo aproxima-se das praias da Florida
Entretanto uma mancha de petróleo proveniente do Golfo do México está a aproximar-se das praias do noroeste da Florida.
As autoridades locais dizem que a mancha, composta por milhares de bolas de petróleo bruto, foi vista a 15 quilómetros de Pensacola .
"É inevitável que a iremos ver nas praias", disse Keith Wilkins, um responsável do condado de Escambia.
Enquanto isso, a BP continua a tentar conter o derrame de petróleo. Para tanto tenta agora serrar o tubo partido que antes conduzia á plataforma petrolífera afundada, a fim de introduzir no mesmo uma espécie de tampão. No entanto os esforços da petrolífera depararam com um novo obstáculo, quando uma das serras ficou presa no grosso tubo no fundo do oceano.
Um responsável da Guarda Costeira dos Estados Unidos disse que as equipas estão a pulverizar dispersantes químicos sobre o petróleo, que agora está a jorrar do novo corte, e esperam fazer nas próximas horas uma nova tentativa.
BP em queda
Entretanto as acções da BP continuaram hoje a cair na bolsa de valores de Londres, após notícias de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tinha aberto vários inquéritos civis e criminais ao derramamento do Golfo.
Em Washington parece estar a crescer um sentimento de frustração com o fracasso dos esforços da petrolífera para deter o derrame. No texto de um discurso que Barack Obama tenciona dar na Pennsylvania, o Presidente dos Estados Unidos fala de "companhias que tomam atalhos perigosos que comprometeram segurança".
Apesar disso, num outro ponto do discurso, Obama admite que "existem riscos inerentes a brocar quatro milhas abaixo da superfície da Terra", e que "esses riscos só podem continuar a aumentar à medida que a extracção do petróleo se for tornando mais difícil".
O derrame no Golfo do México começou a 20 de Abril, quando a plataforma de exploração petrolífera "Deepwater Horizon" explorada pela BP, explodiu, matando 11 trabalhadores.
A multinacional petrolífera estima que o desastre tenha até agora custado à companhia mais de oitocentos milhões de euros em custos de limpeza mas recusa-se a especular sobre futuras despesas.