Direita italiana dividida nas eleições municipais: quatro Mussolinis confrontam-se

As meias irmãs Alessandra e Rachele Mussolini disputam os votos do eleitorado de direita. Alessandra concorre pelo partido de Berlusconi, Rachele pelo de Giorgia Meloni. Dois primos de ambas também pedem votos. E todos usam o apelido como trunfo político.

RTP /
Silvio Berlusconi com Alessandra Mussolini, em 2008 Tony Gentile, Reuters

Dentro de um mês, o eleitorado romano vai eleger os órgãos autárquicos da capital - presidente da Câmara e vereadores. À direita, os votos serão disputados nomeadamente pelo partido do ex-primeiro-ministro Silvo Berlusconi, Forza Italia, e pelo partido da ex-ministra do Desporto Giorgia Meloni, Fratelli d' Italia. Ambas são filhas de Romano Mussolini, o quatro filho do ditador fascista.

Alessandra Mussolini, de 53 anos, dez anos mais velha do que a meia irmã, é a mais conhecida das duas, tendo atrás de si uma carreira como actriz, como modelo, como activista política, que começou no fascista Movimento Social Italiano (MSI) e veio desembocar no partido berlusconiano.

Fora eleita em 1992 como candidata do MSI ao parlamento napolitano e concorrera depois à presidência do município de Nápoles, mas sem sucesso. Esteve na Aliança Nacional pós-fascista e entrou em choque com o seu líder Gianfranco Fini, quando este se demarcou do ditador fascista que envolvera a Itália na Segunda Guerra Mundial.

Finalmente rompeu com o partido, quando Fini apresentou desculpas a Israel pelas responsabilidades do fascismo italiano no Holocausto. Alessandra Mussolini fez, no entanto, questão de sublinhar no momento da ruptura que também ela defendia o Estado de Israel e entendia que o mundo - não especialmente a Itália fascista - devia penitenciar-se perante o Estado de Israel pelo extermínio dos judeus.

Na sequência dessa ruptura, criou o partido chamado "Liberdade de Acção" e depois uma coligação chamada "Alternativa Social", que se travestiu com temas tradicionais da esquerda, como a despenalização do aborto, os direitos dos homossexuais e as uniões de facto. Continuou, porém, nos anos seguintes a destacar-se ocasionalmente por comentários homofóbicos ou racistas.

Em 2008 foi eleita para o parlamento nacional nas listas da coligação de Berlusconi, depois chamada Forza Italia. Em 2014 foi eleita por essa coligação para o Parlamento Europeu. O partido de Berlusconi apresenta agora nas eleições para o município de Roma a candidatura de um membro de uma dinastia de negociantes imobiliários, Alfio Marchini, apoiado também pelo assumido fascista Francesco Storace.

A outra meia-irmã, Rachele Mussolini, apoia a antiga ministra do Desporto e dirigente do partido pós-fascista Giorgia Meloni. Além de Alessandra e Rachele, outros dois netos de Mussolini estão envolvidos na campanha para a Câmara de Roma: Simone Di Stefano, que concorre mesmo à presidência da edilidade pelo partido "Direita Radical", com a ambição de representar os "fascistas do III Milénio"; e Alfredo Iorio, dirigente da coligação fascista constituída pelos partidos Fiamma Nazionale, Forza Nuova e do renascido Movimento Sociale Italiano.
PUB