Direito de veto a novos membros do Conselho de Segurança é utópico

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou hoje em Nova Deli que é possível ampliar o Conselho de Segurança da organização, mas seria "utópica" a ideia de os novos membros terem direito de veto.

Agência LUSA /

Em conferência de imprensa na capital indiana, Kofi Annan mostrou-se favorável à expansão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que, na sua opinião, seria um grande avanço.

Quanto à atribuição do direito de veto a novos candidatos a membros do Conselho de Segurança, qualificou essa hipótese de "utópica", na medida em que os actuais cinco membros permanentes daquele órgão "não estão dispostos a criar vetos suplementares".

Em Setembro último, a Índia, a Alemanha, o Brasil e o Japão tomaram a decisão de unir os seus esforços para obter um assento permanente no Conselho.

Actualmente, somente a China, os Estados Unidos, a França, a Grã- Bretanha e a Rússia pertencem ao clube +mais fechado+ dos países com direito de veto.

No final de Março, Annan divulgou um projecto de reforma da organização mundial e do seu sistema de segurança colectiva sem precedentes desde a sua criação em 1945.

A questão mais sensível deste projecto prende-se com o alargamento do Conselho de Segurança - o principal órgão de decisão da ONU - a 24 membros, contra os 15 actuais.

O responsável máximo da organização deixou, por seu lado, aos Estados a responsabilidade de decidirem entre duas opções possíveis de distribuição de assentos: entre permanentes e não permanentes.

"Não nos implicaremos demasiado na questão do veto", prosseguiu Annan.

"Um alargamento sem veto (suplementar) - considerou - será em si mesmo uma etapa importante (porque) o Conselho de Segurança terá diferentes posições que a maioria dos países não podem apresentar" actualmente.

Kofi Annan, que se encontra de visita oficial à Índia desde segunda-feira, reuniu-se hoje com o presidente indiano, Abdul Kalam, o primeiro-ministro, Manmohan Singh, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Natwar Singh.

Durante o encontro, o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros instou o secretário-geral da ONU a aumentar os postos permanentes e não permanentes do Conselho de Segurança para que não haja discriminação entre os novos e antigos membros.

Segundo Singh, é "imperioso" alterar a estrutura, a forma de trabalho, a orientação política e a agenda da ONU.

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