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Diretor de `think tank` dos EUA critica ineficácia de Guterres e antecipa fim do mandato

Diretor de `think tank` dos EUA critica ineficácia de Guterres e antecipa fim do mandato

 O diretor do centro de investigação norte-americano Instituto Hudson criticou hoje a ineficácia do secretário-geral da ONU, António Guterres, e acrescentou antecipar o fim do mandato como líder das Nações Unidas.

Lusa /
Foto: Eduardo Munoz - Reuters

"Considero que Guterres foi um secretário-geral ineficaz. Estou muito contente por o seu mandato estar quase a chegar ao fim", disse Peter Rough à agência Lusa, argumentando que o cargo devia ser ocupado por alguém que consiga fazer efetivamente uma boa gestão dos diferentes órgãos das Nações Unidas.

"Existem muitos outros órgãos [além do Conselho de Segurança] no seio do sistema da ONU sobre os quais o secretário-geral tem autoridade, onde a sua palavra tem peso. Ele tem, por ser o secretário-geral das Nações Unidas, uma voz importante nos assuntos globais, e pode usar essa voz com melhor efeito", considerou o académico, em Lisboa, onde participou no Foro la Toja.

O diretor do instituto que tem promovido políticas alinhadas com a visão da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, argumentou ainda que um futuro líder da ONU deve procurar reformar a organização, de modo a analisar o desperdício, a fraude e os abusos, bem como examinar as operações de manutenção da paz e os orçamentos das mesmas.

Sobre o Direito Internacional, do qual as Nações Unidas são um garante, Rough defendeu que, no final de contas, é apenas "um subconjunto da tomada de decisões políticas".

"Os países definem as estratégias de segurança nacional, têm em conta os seus interesses e, em seguida, procuram garantir que estes se coadunam com o direito internacional. Mas não avaliam primeiro o Direito Internacional, para depois encaixar a sua estratégia de segurança nacional nele", defendeu.

Peter Rough considerou mesmo que a era em que os países avaliavam primeiro o Direito Internacional antes de considerarem as políticas internas "já quase desapareceu".

"Se adotarem essa última abordagem, isso significa que estamos basicamente a viver na Europa dos anos 90", continuou.

No que diz respeito às críticas de líderes europeus à guerra de Washington contra Teerão, lançada a 28 de fevereiro, o académico disse não estar convencido de este seja "um caso claro e incontestável de desrespeito ao Direito Internacional por parte dos EUA".

"Considero, sim, que isto demonstra uma diferença na perceção da ameaça entre a Europa e os EUA no que diz respeito ao Irão", acrescentou.

Rough argumentou que o programa de mísseis balísticos iraniano, a projeção de terror sobre os países do Médio Oriente como no Líbano, através do movimento xiita Hezbollah, e o programa nuclear iraniano, seriam motivos suficientes para "apresentar um argumento jurídico internacional" que justificasse a guerra.

Esse argumento, defendeu, sobressai face à postura da ONU: "não intervencionista, soberanista e baseada no Direito Internacional em que é necessário obter um mandato do Conselho de Segurança".

Quanto à NATO, o académico defendeu que a abordagem estratégica do Presidente republicano em relação à Europa consiste em "expor os aliados europeus ao poder russo, de modo a forçá-los a aumentar os gastos com a defesa".

"Trata-se, sem dúvida, de um ato de coação. Mas ele [Trump] não quer ir tão longe ao ponto de arriscar uma guerra generalizada na Europa. Por isso, nas consultas, nos documentos, nas reuniões, há também um compromisso com o Artigo 5.º" da NATO, que estabelece que um ataque a um aliado é considerado um ataque a todos, exigindo uma resposta coletiva.

O académico disse mesmo que o objetivo da administração Trump passa pela ambiguidade de deixar os europeus a questionar se os Estados Unidos defenderão militarmente os aliados da NATO em caso de guerra.

"Essa ambiguidade entre, por um lado, `será que estaremos lá?` e, por outro lado, dizer `estaremos lá`, destina-se tanto a manter a paz, como a levar a Europa a fazer mais. Porque, claramente, a abordagem de [o ex-presidente Joe] Biden de abraçar os europeus adormeceu-os em vez de os pressionar a gastar muito mais", esclareceu.

Embora tenha reconhecido ganhos durante a administração Biden, considerou que não ocorreram na "velocidade e dimensão que os EUA esperavam, previam e necessitam".

"Por isso, acho que essa é uma diferença bastante significativa e o Presidente Trump gosta deste tipo de oscilação entre, por um lado, criticar os europeus e questionar a NATO, por outro lado, comprometer-se com ela. Porque isso também o coloca no centro da ação", acrescentou Rough.

"Ele [Trump] não está assim tão interessado na coerência. Para ele o que importa é o domínio e ter uma postura ambígua em que todas as conversas girem em torno de como é que Donald Trump vai decidir [e isso] coloca-o no centro da ação", concluiu.

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