Dirigente chavista descreve diálogo com oposição como vitória

Dirigente chavista descreve diálogo com oposição como vitória

O ministro do Interior da Venezuela e líder do partido no poder, Diosdado Cabello, declarou na segunda-feira que o diálogo entre o Governo interino e a oposição constitui uma vitória para a estabilidade do país.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: AFP

Sete meses após a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, após intervenção militar norte-americana, os delegados da presidente interina, Delcy Rodríguez, e membros da oposição realizam esta semana em Caracas a primeira ronda de conversações presenciais, numa data que não foi ainda anunciada.

Estas conversações decorrem sem a participação da principal figura da oposição venezuelana e vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, que, no entanto, declarou que não irá colocar entraves ao processo.

Os temas abordados nesta primeira reunião são a resposta ao duplo sismo de 24 de junho, que provocou mais de 6.000 mortos, o reforço da democracia, bem como os direitos e garantias políticas.

Machado exige o reconhecimento da vitória do candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, nas eleições de 28 de julho de 2024, após as quais Maduro foi proclamado vencedor para um terceiro mandato consecutivo, num contexto de alegações de fraude e de manifestações que provocaram 28 mortos e mais de 2.400 detenções.

"Alguns setores da oposição consideram o diálogo como uma capitulação, o que é falso. Estamos abertos ao diálogo", declarou Cabello, secretário do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), o partido no poder.

"Não se esqueçam de que muitos dos que estão na oposição criaram o estatuto de transição para violar a Constituição. Hoje, apresentam-se com essa Constituição na mão. Para nós, é uma vitória, para o país, é uma vitória, para a estabilidade", afirmou o dirigente, cuja captura é recompensada com 25 milhões de dólares oferecidos pelos Estados Unidos.

A líder da oposição Dinorah Figuera, que regressou à Venezuela em junho, na sequência de um convite do Departamento de Estado dos Estados Unidos, após oito anos no exílio, afirmou esta semana que este processo "deve decorrer de boa-fé, com transparência, objetivos claros e um compromisso genuíno para alcançar acordos concretos que conduzam à recuperação da democracia através de eleições livres e justas".

Em meados de julho, o parlamento venezuelano, controlado pelo chavismo - movimento inspirado no antigo Presidente Hugo Chávez -- um grupo de membros da oposição que faziam parte da legislatura em 2015, anunciaram que iriam iniciar, em 01 de agosto, um roteiro conjunto para promover a democracia no país.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, partilhou a declaração da oposição na rede social X, que foi vista como um sinal de apoio da Administração de Donald Trump, que em janeiro capturou o ex-presidente Nicolás Maduro e colocou o novo Governo interino liderado pela vice-presidente, Delcy Rodríguez, sob sua tutela.

Desde então, Washington e Caracas retomaram e fortaleceram os laços políticos e comerciais, especialmente após um acordo pelo qual os Estados Unidos administram as vendas de petróleo bruto venezuelano.

Na segunda-feira, a conta oficial de Nicolás Maduro saudou "qualquer via de diálogo" que contribua para a paz no país, depois de Governo e oposição venezuelanas terem anunciado negociações para discutir "direitos e garantias políticas".

Maduro está detido desde 03 de janeiro numa prisão em Nova Iorque, depois de ter sido capturado, juntamente com a mulher Cilia Flores, pelos Estados Unidos em Caracas.

O presidente deposto responde por quatro acusações, entre as quais narcoterrorismo, enquanto a mulher, Cilia Flores, enfrenta três acusações. Ambos rejeitam as acusações que lhes são imputadas, com o início do julgamento de Maduro marcado para 01 de junho de 2027.

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