Dirigentes de operadora nuclear japonesa demitem-se após falsificação de dados de segurança
Dois altos dirigentes de uma operadora nuclear japonesa demitiram-se hoje na sequência de um escândalo de falsificação de dados sísmicos, e o grupo anunciou que vai retirar os pedidos de reativação de dois reatores.
A central de Hamaoka, da Chubu Electric Power, situada numa região exposta ao risco de "mega-sismo", estava sujeita a controlos de segurança para retomar atividade. Em janeiro, a empresa reconheceu ter apresentado às autoridades dados que poderiam subestimar os riscos sísmicos.
Num comunicado, a Chubu Electric informou que o presidente Kingo Hayashi e o presidente do conselho de administração, Satoru Katsuno, serão substituídos, retirando também os pedidos de reinício.
Hayashi declarou sentir "um pesado sentido de responsabilidade e profundo remorso", lamentando não ter conseguido promover uma cultura organizacional que privilegie a segurança e o cumprimento das normas.
Um relatório independente de 250 páginas, divulgado no mesmo dia, concluiu que as pressões da direção para acelerar o reinício dos reatores colocaram o pessoal sob pressão e foram "um dos fatores que contribuíram para as falhas" registadas.
O Japão encerrou todos os reatores após o desastre de Fukushima em 2011, mas procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a neutralidade carbónica até 2050, regressando gradualmente ao nuclear civil. A central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, retomou operações este ano.
No centro das avaliações de segurança está a estimativa de "movimento sísmico máximo à superfície", crucial para o desenho antisísmico das centrais.
Em 2023, o regulador japonês aprovou a estimativa da Chubu Electric, mas em fevereiro de 2025 recebeu de um denunciante informação com dados diferentes dos fornecidos. O processo de revisão foi suspenso em dezembro.
A central de Hamaoka localiza-se numa zona suscetível a sismos na fossa de Nankai, onde a placa oceânica das Filipinas se desloca sob a placa continental japonesa.
Em 2024, a Agência Meteorológica emitiu o primeiro aviso especial sobre um possível "mega-sismo" na região, levantado uma semana depois.