Discussões "altamente produtivas" sobre futuro de Gaza

Discussões "altamente produtivas" sobre futuro de Gaza

O organismo palestiniano encarregado da administração interina da Faixa de Gaza anunciou hoje que concluiu dois dias de discussões "altamente produtivas" no Chipre, para fazer avançar os planos de reconstrução do território devastado pela guerra.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), composto por 15 tecnocratas palestinianos, foi criado no âmbito do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para pôr fim à guerra em Gaza entre o movimento islamita Hamas e Israel.

O CNAG declarou no X que realizou discussões no Chipre com "especialistas e consultores" do "Conselho da Paz", criado por Trump, do gabinete do Alto Representante para Gaza, Nikolai Mladenov, e do Instituto Tony Blair.

As discussões centraram-se nos esforços para "aliviar o sofrimento" dos residentes, nos planos de reconstrução, na segurança e na governação, e numa estrutura para garantir a transparência e a prestação de contas aos doadores internacionais, segundo a mesma fonte.

O comité reafirmou o seu compromisso com o plano de 20 pontos de Trump e indicou que continua pronto para assumir as suas responsabilidades em coordenação com o Conselho de Paz.

No entanto, não forneceu um calendário, especificando que novas medidas serão anunciadas "assim que as condições adequadas forem cumpridas".

O plano de Trump para pôr fim à guerra iniciada a 07 de outubro de 2023, pelo ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, foi endossado pelo Conselho de Segurança da ONU e levou ao estabelecimento de um frágil cessar-fogo em outubro.

A sua segunda fase inclui uma retirada gradual de Israel da Faixa de Gaza, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização, que foi anunciada e discutida, mas ainda não se concretizou.

No final de fevereiro, o Hamas declarou-se aberto à presença de uma força deste tipo em Gaza, mas sem interferência nos assuntos internos do território, que ocupou em 2007.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, por sua vez, ordenou ao exército, no final de maio, que alargasse o seu controlo a 70% do território.

Israel e Hamas acusam-se mutuamente, quase diariamente, de violarem o cessar-fogo no território devastado.

O CNAG é liderado pelo engenheiro Ali Shaaz, natural de Khan Yunis (sul da Faixa de Gaza), mas residente na Cisjordânia, que exerceu funções de vice-ministro dos Transportes na década de 1990 na Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).

Paralelamente, uma delegação do Hamas deslocou-se esta semana ao Cairo para retomar as negociações sobre a segunda fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, reunindo-se com responsáveis e mediadores egípcios.

A delegação é encabeçada pelo líder do Hamas na Cisjordânia, Zaher Yabarín, em substituição de Jalil al Haya que liderava o processo negocial até então.

As conversações abordarão também a mobilização do CNAG, as condições de acesso das forças de proteção internacionais e, "em última instância", a retirada total do exército israelita da Faixa de Gaza, segundo o Hamas.

O Hamas rejeitou na segunda-feira, de forma parcial, a mais recente proposta do Alto Representante para Gaza, e garantiu que apresentaria hoje uma resposta a esta.

Vários pontos da primeira fase do acordo encontram-se, na prática, completamente bloqueados, uma vez que o grupo continua a recusar-se a cumprir o ponto relacionado com o desarmamento - principal exigência israelita - e exige que Israel permita a entrada em Gaza do comité técnico para administrar a Faixa, algo que ainda não fez.

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