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Do "querido amigo" de Putin ao "inesquecível presidente" do AC Milan. As reações à morte de Berlusconi

por RTP
EPA

Multiplicam-se as reações de amigos e adversários de Silvio Berlusconi à notícia damorte do controverso italiano, ex-primeiro-ministro, magnata dos media e dirigente desportivo.

O Presidente italiano, Sergio Mattarella, recordou Silvio Berlusconi como "um grande líder político" que marcou a República de Itália, influenciando os seus "paradigmas, costumes e linguagens".

Berlusconi, polémico magnata e político que chefiou o governo italiano durante um total de nove anos repartidos por três períodos entre 1994 e 2011, morreu hoje no Hospital de San Raffaele, em Milão, onde estava internado desde sexta-feira. Contava 86 anos.

A atual primeira-ministra, Giorgia Meloni, chefe da coligação de direita de que faz parte o Forza Italia, partido fundado por Berlusconi, destacou o empresário e político como “um dos homens mais influentes da História de Itália”, considerando que, com ele, o país aprendeu “que não deveria deixar mais que lhe impusessem limites. Com ele, lutámos, ganhámos e perdemos muitas batalhas e, também por ele, levaremos a cabo os objetivos que, juntos, nos propusemos. Adeus, Silvio”, afirmou numa mensagem em vídeo publicada nas redes sociais.

Também do outro lado da barricada política italiana surgiram reações de pesar pela morte do antigo primeiro-ministro. A líder do Partido Democrático, de centro-esquerda, prestou “as mais profundas condolências” à família de Berlusconi, aos apoiantes, ao seu partido e aos integrantes da coligação governamental. "Tudo nos separou e continua a separar-nos da sua visão política, mas permanece o respeito que se deve humanamente a alguém que foi protagonista da História do nosso país", declarou Elly Schlein numa nota.

O ex-primeiro-ministro social-democrata Matteo Renzi, protagonista, em 2014, da polémica aliança entre o centro-esquerda e Berlusconi, considerou que o magnata dos media "construiu a História” de Itália. "Muitos o amavam, muitos o odiavam. Mas todos hoje devem reconhecer que o seu impacto na vida política, económica, desportiva e televisiva foi sem precedentes. Hoje a Itália chora com a sua família, os seus entes queridos, as suas empresas e o seu partido", declarou Renzi.

Romano Prodi, ex-presidente da Comissão Europeia e, também ele, antigo primeiro-ministro transalpino, homenageou a “grande influência” de Berlusconi “não só nas instituições, mas também na vida de todos os cidadãos” italianos. "Representámos mundos diferentes e opostos, mas a nossa rivalidade nunca se transformou em sentimentos de animosidade a nível pessoal e o debate permaneceu na esfera do respeito mútuo”, complementou o antigo político.
"Grande amigo e notável político"

Nas reações internacionais à morte de Silvio Berlusconi, destaca-se para já a de Vladimir Putin, que divulgou uma mensagem de condolências pela partida de um “querido e verdadeiro amigo, a quem admirei a sabedoria e a capacidade para encontrar soluções equilibradas e visionárias, mesmo nas situações mais difíceis”.
 
Também o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, lamentou a morte de um dos mais antigos aliados, que recorda como um “grande lutador”. “Riposa in pace, amico mio” (descansa em paz, meu amigo), escreveu Orbán no Facebook.

As principais instâncias políticas da União Europeia assinalam igualmente o desaparecimento de Silvio Berlusconi. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicou um tweet em que manifesta pesar pelo falecimento do ex-primeiro-ministro, que "liderou a Itália num período de transição e que desde então continuou a influenciar o seu amado país".
Também no Twitter, Roberta Metsola, compatriota de Berlusconi que desempenha atualmente as funções de presidente do Parlamento Europeu, recorda um "lutador que liderou o centro-direita e foi protagonista da política em Itália e na Europa ao longo de gerações".
Do futebol para a política
O nome de Silvio Berlusconi começou a ganhar fama internacional quando chegou à cadeira do poder no AC Milan, um dos clubes de futebol mais conhecidos em todo o Mundo. Entre 1986 e 2017, a sua liderança dos rossoneri (pontualmente interrompida pelas funções governativas) abarcou o período mais glorioso do emblema do norte de Itália, saldando-se por 29 títulos, entre os quais cinco Ligas dos Campeões e oito campeonatos da Série A.

O clube onde milita o português Rafael Leão também se juntou à homenagem ao seu antigo presidente: “O AC Milan, profundamente entristecido, chora o desaparecimento do inesquecível Silvio Berlusconi. Obrigado presidente, por teres estado sempre connosco”.

O Monza, que foi comprado em 2018 por Silvio Berlusconi, também lamentou “a perda” do proprietário do clube da Liga italiana, que cria “um vazio que nunca poderá ser preenchido”.
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