Documentos apresentados por presidente do Senado brasileiro acusado de corrupção não provam inocência

Documentos apresentados por presidente do Senado brasileiro acusado de corrupção não provam inocência

Os documentos apresentados pelo presidente do senado brasileiro, Renan Calheiros, a pedido do corregedor do senado Romeu Tuma, na sequência do escândalo de corrupção que o envolve, não comprovaram a sua inocência, noticia hoje a imprensa brasileira.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Os documentos destinavam-se a comprovar que o senador pagou com os seus próprios recursos a pensão à sua ex-mulher, de quem tem uma filha, mas não esclarecem a origem do dinheiro utilizado antes de 2005.

No seu discurso no Senado, Renan alegou ter pago à ex-mulher uma pensão durante a sua gravidez e até ao final de 2005, sem que tivesse apresentado documentos que esclareçam a origem desse dinheiro.

Nas 34 páginas de documentos apresentadas também não há menção da pensão mensal que o político diz pagar à filha desde o seu nascimento, bem como do aluguer do apartamento que mantinha para a ex-mulher.

O senador Renan Calheiros fez, segunda-feira no Senado, um discurso de 23 minutos, no qual, além de apresentar estes documentos, pediu desculpa à família e classificou de "ignominias" as acusações que lhe foram feitas.

Apesar do sentimento de satisfação que o discurso provocou nos membros do Senado, o corregedor Romeu Tuma, que havia solicitado a documentação a Renan, avisou que ainda pretende investigar a fundo as denuncias contra o presidente.

Tuma afirmou também que pretende ouvir algumas pessoas e que a partir daí terá 30 dias para preparar um relatório sobre o caso, e que se for necessária a instauração de um processo, terá que haver uma comissão nomeada para o efeito.

"Entregarei o meu relatório à mesa directora. A decisão não é minha", explicou o corregedor.

Também na sequência do discurso de defesa proferido por Renan, o advogado da sua ex-mulher já desmentiu algumas das declarações feitas pelo político.

Pedro Calmon Filho, advogado da jornalista Mônica Veloso, com quem o político foi casado, negou a versão apresentada por Renan, de que teria criado um fundo para a educação da filha dos dois.

De acordo com o advogado, o pagamento destinava-se exclusivamente a colmatar perdas monetárias na pensão de alimentos habitualmente paga.

"Não existe um fundo para a educação ou cultura da menina. O pagamento foi feito para complementar os valores de pensão alimentícia", esclareceu o advogado.

Remetendo para as acusações da revista Veja, Pedro Filho confirmou que o dinheiro era entregue por Cláudio Gontijo, alegado contacto do político dentro da empresa de construção civil Mendes Júnior, que terá corrompido o presidente do Senado.

Segundo o advogado, o dinheiro era entregue à jornalista, em mão, no escritório da empresa de obras Mendes Júnior.

"Quem fazia (o pagamento) era o Cláudio Gontijo e era rigorosamente da forma que foi relatada pela revista Veja", disse.

O escândalo de corrupção surgiu quando Renan Calheiros foi acusado pela revista Veja de ter recebido recompensas da empresa de construção brasileira Mendes Júnior, tendo negado imediatamente todas as acusações.

O seu discurso de esclarecimentos no Senado ficou marcado por uma acção de solidariedade por parte dos senadores e líderes partidários, que, pela primeira vez, fizeram fila para abraçar o senador, quando este acabou de discursar.

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