Dódó, o rei das máscaras da Guiné-Bissau

Dódó Pereira Tecanhe ou Dódó das Máscaras é um dos responsáveis pelas muitas máscaras e gigantones que vão percorrer as ruas de Bissau durante o Carnaval guineense, já considerado um dos mais originais do mundo.

Agência LUSA /

Com origem nos cabeçudos e gigantones portugueses, as máscaras guineenses são, contudo, mais elaboradas e, além de retratarem pessoas, também pretendem transmitir uma mensagem.

Este ano a máscara preferida de Dódó é a de uma mulher com uma arma partida ao meio nas mãos e com uma pomba branca na cabeça, num claro apelo à paz e ao progresso da Guiné-Bissau.

A máscara pode ser vista no Centro Cultural Português da Guiné- Bissau a partir de segunda-feira, dia em que é inaugurada a exposição "Máscaras tradicionais do Carnaval de Bissau", todas da autoria de Dódó.

Água, papel (cartão e papelão), farinha, madeira e tintas são alguns dos materiais necessários para construir as figuras, num trabalho que começa imediatamente a seguir ao fim de cada Carnaval.

Dódó não sabe bem a sua idade, mas diz que tem 37 e começou a fazer máscaras em 1988 com cerca de 12 anos.

A arte, disse à Agência Lusa, está no seu sangue e até estudou escultura com um professor cubano, mas a guerra interrompeu as aulas.

Apesar de quase todos os anos ganhar prémios no Carnaval e até ter participado na Expo 2002 em Hannover, Dódó continua a não ter apoios das autoridades guineenses.

"Só sou apoiado pelo Centro Cultural português", explicou, desanimado, porque a falta de apoios põe em causa o projecto que pretende ter concluído em 2015 - uma exposição de máscaras dentro de água.

Sobre o projecto, Dódó não avançou mais detalhas porque a "arte é um segredo" e, por isso, não explicou como vai conseguir fazer uma exposição de máscaras de cartão dentro de água.

Em 2006, Dódó dedicou as máscaras a figuras portuguesas e pelas ruas de Bissau desfilaram algumas personalidades mais mediáticas como o futebolista Luís Figo e outras mais históricas, como D. Maria e Vasco da Gama.

Este ano o seu repertório inclui uma sátira aos Hummer do Presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, e do ministro das Finanças.

Explicou que retratou os carros em máscaras, para criticar a sua utilização, enquanto o "povo tem fome na barriga", disse.

Mas como é Carnaval, ninguém leva a mal e Dódó começa já a pensar nos temas que vai satirizar em 2008.

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