Doentes estão "à espera de morrer" nos hospitais de Gaza, alerta OMS

A guerra no Médio Oriente perdura e os hospitais de Gaza continuam a lidar com enchentes de feridos. Um coordenador da Organização Mundial de Saúde (OMS) enviado à região descreveu na quarta-feira um cenário em que os pacientes estão "à espera de morrer" nos hospitais, praticamente inoperacionais devido à guerra.

Joana Raposo Santos - RTP /
Os hospitais em Gaza contam neste momento com um número de pessoal muito reduzido. Mohammed Salem - Reuters

Sean Casey passou cinco semanas no território palestiniano e contou ter visto todos os dias doentes hospitalizados "com queimaduras graves ou fraturas expostas” e que “esperavam horas ou dias" para serem tratados.

O coordenador enviado pela OMS disse ter visto doentes no norte da Faixa de Gaza "à espera de morrer num hospital sem combustível, eletricidade ou água".

"Muitas vezes pediam-me comida ou água, o que demonstra o nível de desespero", acrescentou. Casey só conseguiu visitar seis dos 16 hospitais de Gaza que estão em funcionamento. Antes do reacender da guerra, eram 36 as unidades hospitalares operacionais.Os hospitais em Gaza contam neste momento com um número de pessoal muito reduzido, uma vez que muitos dos profissionais da área da saúde abandonaram a região devido aos ataques israelitas.

Em declarações na sede da ONU em Nova Iorque, o responsável disse ter assistido presencialmente a “uma rápida deterioração do sistema de saúde”, assim como “uma queda no nível de acesso à ajuda humanitária, particularmente nas áreas do norte da Faixa [de Gaza]”.

“Tentámos todos os dias, durante sete dias, entregar combustível e mantimentos no norte da cidade de Gaza”, descreveu Casey, acrescentando que "todos os dias esses pedidos foram recusados".

Entretanto, as forças israelitas que continuam a tentar tomar a principal cidade do sul da Faixa de Gaza bombardearam, na quinta-feira, as proximidades do maior hospital ainda em funcionamento no enclave, fazendo com que pacientes e habitantes fugissem em pânico, segundo a Médicos Sem Fronteiras.

Desde 7 de outubro, quando o Hamas levou a cabo um ataque em Israel que originou uma operação militar israelita na Palestina, já morreram mais de 24.000 palestinianos e grande parte da Faixa de Gaza ficou devastada.

Recentemente, Israel disse estar a planear reduzir as suas operações terrestres e mudar para táticas de menor escala. No entanto, antes de o fazer parece estar determinado a capturar a totalidade da cidade de Khan Younis, que diz ser a base principal dos combatentes do Hamas.

c/ agências
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