Dois jovens palestinianos mortos em ataque de colonos israelitas
Dois palestinianos, de 16 e 19 anos, foram hoje mortos a tiro durante um ataque de colonos acompanhados pelas forças israelitas na localidade de Al Mughayir, perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, adiantou o Ministério da Saúde palestiniano.
O Crescente Vermelho Palestiniano explicou que uma das vítimas foi baleada no pescoço "durante um ataque de colonos e forças de ocupação (israelitas)" e foi levado para o hospital enquanto recebia manobras de reanimação. O outro jovem foi baleado nas costas.
O chefe do conselho da localidade, Min Abu Aliya, indicou à agência de notícias oficial palestiniana (Wafa) que os colonos, acompanhados pelas forças israelitas, participaram no ataque.
Segundo Aliya, invadiram o centro da aldeia, atacaram duas casas e roubaram ovelhas.
De acordo com a mesma fonte, atiradores de elite do exército israelita estavam posicionados em edifícios no centro da aldeia e que, quando os residentes tentaram confrontar os colonos que lhes roubavam as ovelhas, os soldados abriram fogo contra os palestinianos, ferindo vários jovens.
O exército israelita indicou à agência Efe que está a investigar o incidente.
De acordo com um relatório publicado na semana passada pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), entre 11 e 24 de agosto, foram documentados oitenta ataques de colonos que resultaram em vítimas palestinianas, danos materiais ou ambos, com 55 palestinianos feridos.
Os colonos são rotineiramente protegidos pelas tropas israelitas durante os ataques, e as suas ações ficam impunes na grande maioria dos casos.
De acordo com um estudo da organização não-governamental (ONG) israelita Yesh Din, 93,6% das investigações contra colonos por violência contra palestinianos na Cisjordânia terminaram sem acusações.
Apenas 3% das investigações policiais resultaram em condenações totais ou parciais desde 2005, segundo a mesma organização.
Também hoje, forças israelitas invadiram a comunidade de Khirbet al-Taban, no sul da Cisjordânia, e destruíram todas as suas 12 casas, que consideram ilegais, deixando 70 pessoas, incluindo 28 crianças, informou a organização de defesa dos direitos humanos B`Tselem.
O COGAT, o organismo militar israelita responsável pela gestão dos assuntos civis na Cisjordânia, afirmou à agência de notícias EFE que as demolições visaram "estruturas ilegais erguidas dentro de um campo de tiro" do exército.
A aldeia palestiniana encontra-se totalmente dentro da Área C, que está sujeita a controlo civil e militar de Israel.
Como antecedente deste caso, segundo a imprensa israelita, está uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça de 2022 sobre petições apresentadas por habitantes da região, determinando que as famílias palestinianas não residiam no local antes de ser declarado zona de tiro, negando a sua permanência.
A organização referiu no comunicado que Khirbet al-Taban é a 66.ª comunidade palestiniana completamente deslocada desde os ataques do grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e abriram um período de escalada da violência na Cisjordânia.
A ONG contabilizou 4.931 palestinianos, incluindo 2.339 crianças e adolescentes, removidos à força das suas casas na Cisjordânia durante este período, numa ação que descreve como parte de uma política de "limpeza étnica", enquanto "o mundo continua inerte".
Desde 2023, os palestinianos na Cisjordânia enfrentam um aumento substancial das restrições de movimentos, a par de casos que se tornaram quase diários de violência protagonizados por colonos extremistas e de operações militares frequentes do exército.
Segundo a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), entre outubro de 2023 e 24 de julho de 2026, 1.122 palestinianos, dos quais pelo menos 246 eram crianças, foram mortos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.
No total, 76 foram mortos desde o início de 2026.