Dois novos casos de imolação pelo fogo por monges tibetanos na China
Pequim, 25 abr (Lusa) -- Dois monges tibetanos morreram depois de se terem imolado pelo fogo no sudoeste da China, informou um grupo de direitos humanos e um órgão de comunicação social.
Lobsang Dawa e Konchog Woeser imolaram-se pelo fogo na quarta-feira na província de Sichuan, onde foram registados vários incidentes, informou a estação de rádio baseada nos Estados Unidos Radio Free Asia (RFA) e o grupo britânico Free Tibet, noticiou a AFP.
"Todos os tibetanos que recorrem à auto-imolação fazem-no porque sentem que não têm outra forma de fazer com que a China e o mundo os ouça", disse em comunicado a diretora do grupo Free Tibet, Eleanor Byrne-Rosengren.
A RFA disse que monges rezaram pelos dois religiosos mortos, de 20 e 23 anos e que os corpos seriam cremados hoje.
Mais de 110 tibetanos imolaram-se pelo fogo desde 2009, e a maioria morreu devido às lesões e ferimentos sofridos, em manifestações contra o que definem como opressão chinesa.
Pequim rejeita estas acusações, apontando os investimentos substanciais no Tibete e noutras regiões com elevadas comunidades tibetanas, embora os críticos indiquem que o desenvolvimento económico aumentou o influxo de chineses da etnia Han e levou à erosão da cultura tradicional tibetana.
As autoridades aumentaram a segurança na região, por vezes bloqueando as comunicações, reportou a RFA.
Nos meses recentes, alguns tibetanos foram presos sob a acusação de incitarem os protestos e divulgarem a informação sobre este tipo de incidentes no estrangeiro.
Pequim condena as imolações pelo fogo e culpa o Dalai Lama, líder tibetano no exílio, de usar estes atos para promover uma agenda separatista.
O Dalai Lama, laureado com o Nobel da Paz, e exilado na Índia desde 1959 após uma revolta falhada no Tibete, descreve os protestos como atos de desespero, os quais diz não poder controlar.