Dois quilos de Urânio-238 apreendidos na Moldávia

A polícia moldava apreendeu cerca de dois quilos de Urânio-238 que estava na posse de um grupo de traficantes na capital Quichinau. As autoridades acreditam que o grupo se preparava para vender a substância radioactiva por nove milhões de euros no mercado negro europeu. Os investigadores estão agora a tentar determinar a origem do urânio, que estava guardado numa garagem.

António Carneiro, RTP /
O Urânio-238 é o principal componente do "urânio empobrecido" usado em munições perfurantes. quase dois quilos deste material foram apreendidos a traficantes pela policia moldova.

Um porta-voz do ministério do Interior da Moldávia, o coronel Chiril Motpan, disse que a policia começou a interessar-se pelos traficantes em meados de Junho, quando estes começaram a tentar comprador para a mercadoria ilegal.

Actuando sob disfarce, os polícias adquiriram um grama da substância, que depois foi enviado para os Estados Unidos a fim de ser analisado. A conclusão dos peritos foi que se tratava de Urânio-238, pelo que três dos suspeitos foram detidos a 20 de Agosto.

Durante a prisão, as autoridades confiscaram 1,8 quilos de urânio que foi colocado num contentor. Também foram apreendidas uma pistola Makarov, munições para espingarda automática Kalashnikov e uma granada de mão, bem como diversos documentos fiscais.

Polícias reformadosDe referir que dois dos suspeitos são agentes da polícia reformados. As autoridades moldavas acreditam que o grupo é composto por sete elementos, dos quais quatro ainda estão a monte. Alguns deles possuiriam mesmo cadastro internacional por crimes idênticos:

"Os suspeitos já no passado tinham sido perseguidos pelas forças da ordem da Moldávia, da Rússia e da Roménia, por receptação e tráfico de substancias radioactivas", disse o porta-voz do ministério do interior moldavo, sem, no entanto, fornecer mais pormenores.

A procuradoria-geral da Moldávia abriu um inquérito por tráfego de substâncias radioactivas. Algumas amostras do urânio apreendido foram enviadas para um laboratório na Alemanha, para estabelecer qual o país de origem e determinar qual o processo de enriquecimento a que foi sujeito.

Um especialista nuclear consultado pela BBC disse que o Urânio-238 não serve para fabricar bombas atómicas, ao contrário do bastante mais raro Urânio-235 que além disso tem de ser enriquecido.

Mesmo assim, e apesar de a quantidade ser "trivial" e poder transportada em segurança numa mão, este mesmo especialista admitiu que "qualquer tentativa para contrabandear urânio levanta preocupações".

Já o investigador moldavo Oleg Putintica disse ao canal de TV ProTV Chisinau, que o material poderia ser usado tanto na indústria nuclear civil, como para fins militares, para produzir armas de destruição massiva".

"Urânio empobrecido"

Entre os seus usos mais comuns o Urânio - 238 é o componente principal do assim chamado "urânio empobrecido", utilizado para fabricar munições de grande poder de perfuração, como as que foram utilizadas pelos americanos no Iraque.

Apesar de ser menos tóxico do que outros metais pesados como o arsénico e o mercúrio, e de ser relativamente pouco radioactivo por causa da sua longa meia-vida, (de 4468 milhões de anos), diversos estudos laboratoriais comprovaram que este tipo de Urânio é perigoso para mamíferos.

Sabe-se que pode atacar o sistema reprodutivo e o desenvolvimento do feto, provocando redução da fertilidade e abortos e deformações no nascituro. Nos casos em que existe exposição crónica ao "urânio empobrecido" vários testes citológicos provaram que este se mostra leucogénico, mutagénico e neurotóxico.

Desde a queda do regime soviético que diversos peritos vem a alertar para o tráfico de matérias físseis e de outros materiais radioactivos que nomeadamente possam permitir a terroristas fabricar uma "bomba suja" , em que um explosivo convencional é usado em conjunção com material radioactivo para espalhar contaminação radioactiva numa vasta área.

 

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