Mundo
Dois ramos da Al-Qaida apelam à união contra os inimigos do Estado Islâmico
Numa declaração sem precedentes, dois ramos da al-Qaeda apelaram às fações islamitas armadas do Iraque e da Síria para unirem esforços contra a aliança formada pelos EUA para combater o Estado Islâmico. O comunicado conjunto assinado pela al-Qaeda na Península Arábica e a al-Qaeda no Magrebe Islâmico representa, aparentemente, uma rutura com a cúpula da al-Qaeda que tem vindo a disputar com o Estado Islâmico a liderança do movimento jihadista mundial.
O comunicado publicado na internet é dirigido aos "irmãos mujahidin do Iraque e do Levante", [os militantes que combatem dos dois lados da fronteira sírio-iraquiana] e ostenta a data sugestiva de 11 de setembro, o 13º aniversário dos ataques da al-Qaeda às torres gémeas e ao Pentágono.
"Acabem com as lutas fratricidas e ergam-se como um só contra a campanha da América e da sua aliança satânica, que nos visa a todos e pretende quebrar-nos um a um", lê-se na declaração.
"A aliança satânica" mencionada pelos dois grupos jihadistas refere-se às três dezenas de países que se juntaram aos EUA para combater o Estado Islâmico. Uma frente que ficou formalizada esta segunda-feira, numa reunião em Paris.
Apelo aos islamitas
"Façam da vossa rejeição da descrença um fator de unidade", prossegue o comunicado das duas organizações jihadistas, que apela aos militantes para "acabarem com as campanhas de calúnias mútuas" e dirigirem as penas e as espadas honestas contra a América, o chefe dos infiéis e a sua "aliança agressiva e injusta".
"Em face da campanha injusta dos cruzados não temos outro remédio senão o de fazer frente aos que odeiam o Islão e os muçulmanos, os EUA e os seus aliados, que são os verdadeiros inimigos do mundo muçulmano".
O comunicado também se dirige à oposição síria moderada que tenta derrubar o ditador sírio Bashar al-Assad e é apoiada pelos Estados Unidos e pelos seus aliados árabes.
As duas fações da al-Qaeda convidam “todos os que pegaram em armas contra o tirano Bashar e as suas milícias a não se deixarem enganar pela América e não se tornarem nos seus peões”.
A al-Qaeda na Península Arábica e a al-Qaeda no Magrebe Islâmico apelam ainda às tribos sunitas do Iraque e da Síria para que "não esqueçam os crimes dos Estados Unidos (…) e recusem fazer parte da coligação."
"Agentes do Ocidente"
Num tom mais geral, os dois grupos exortam os muçulmanos, em especial os da Península Arábica a "impedirem os seus soldados de participarem na guerra [anunciada] contra os jihadistas do Estado Islâmico", e pedem a esses mesmos muçulmanos para se “sublevarem contra os seus governos "que qualificam de "agentes do Ocidente" e de os "impedirem de se lançaram numa guerra contra o Islão a coberto de uma luta contra o terrorismo".
À coligação anti-Estado Islâmico, os dois ramos da al-Qaeda "prometem dias negros", o que é interpretado como uma ameaça de ações violentas contra os países Ocidentais e os seus aliados árabes.
Al-Qaeda e Estado Islâmico disputam liderança
A al-Qaeda na Península Arábica é uma fusão dos ramos saudita e iemenita da organização. Já a al-Qaeda no Mahgreb Islâmico tem origem argelina e está vinculada oficialmente à al-Qaeda desde 2006.
O comunicado é tanto mais notável pelo facto de ambas as fações se terem mantido, até aqui, fieis a Ayman al-Zawahiri, o médico egípcio que assumiu a liderança da al-Qaeda após a morte de Osama Bin Laden num raide norte-americano em 2011 e que expulsou o Estado Islâmico da organização.
O próprio Estado Islâmico é conhecido pelos seus métodos brutais, que incluem a decapitação de reféns e a crucificação de combatentes inimigos.
A organização liderada por Abu Bakr al-Baghdadi provocou uma onda de pânico no Médio Oriente e no resto do mundo quando iniciou uma onda expansionista através do norte do Iraque, conquistando cidades, massacrando prisioneiros e proclamando um califado nos territórios sírios e iraquianos que controla.
Quem manda na Jihad?
O Estado Islâmico tem vindo a combater as fações islamitas rivais, incluindo a Frente al-Nusra, que é o ramo oficial da al-Qaeda na Síria.
Noutro plano, a organização liderada por al-Baghdadi tem vindo a travar uma guerra de propaganda com a cúpula central da al-Qaeda, a quem tenta arrebatar a liderança do movimento jihadista mundial.
Para tentar contrariar a crescente perda de influência da al-Qaeda, o próprio Ayman al-Zawahiri anunciou, a 4 de setembro, a criação de uma filial da rede terrorista por ele liderada no subcontinente indiano. Um esforço que, como fica demonstrado, poderá ser insuficiente para estancar a deserção dos seus elementos para o Estado Islâmico.
"Acabem com as lutas fratricidas e ergam-se como um só contra a campanha da América e da sua aliança satânica, que nos visa a todos e pretende quebrar-nos um a um", lê-se na declaração.
"A aliança satânica" mencionada pelos dois grupos jihadistas refere-se às três dezenas de países que se juntaram aos EUA para combater o Estado Islâmico. Uma frente que ficou formalizada esta segunda-feira, numa reunião em Paris.
Apelo aos islamitas
"Façam da vossa rejeição da descrença um fator de unidade", prossegue o comunicado das duas organizações jihadistas, que apela aos militantes para "acabarem com as campanhas de calúnias mútuas" e dirigirem as penas e as espadas honestas contra a América, o chefe dos infiéis e a sua "aliança agressiva e injusta".
"Em face da campanha injusta dos cruzados não temos outro remédio senão o de fazer frente aos que odeiam o Islão e os muçulmanos, os EUA e os seus aliados, que são os verdadeiros inimigos do mundo muçulmano".
O comunicado também se dirige à oposição síria moderada que tenta derrubar o ditador sírio Bashar al-Assad e é apoiada pelos Estados Unidos e pelos seus aliados árabes.
As duas fações da al-Qaeda convidam “todos os que pegaram em armas contra o tirano Bashar e as suas milícias a não se deixarem enganar pela América e não se tornarem nos seus peões”.
A al-Qaeda na Península Arábica e a al-Qaeda no Magrebe Islâmico apelam ainda às tribos sunitas do Iraque e da Síria para que "não esqueçam os crimes dos Estados Unidos (…) e recusem fazer parte da coligação."
"Agentes do Ocidente"
Num tom mais geral, os dois grupos exortam os muçulmanos, em especial os da Península Arábica a "impedirem os seus soldados de participarem na guerra [anunciada] contra os jihadistas do Estado Islâmico", e pedem a esses mesmos muçulmanos para se “sublevarem contra os seus governos "que qualificam de "agentes do Ocidente" e de os "impedirem de se lançaram numa guerra contra o Islão a coberto de uma luta contra o terrorismo".
À coligação anti-Estado Islâmico, os dois ramos da al-Qaeda "prometem dias negros", o que é interpretado como uma ameaça de ações violentas contra os países Ocidentais e os seus aliados árabes.
Al-Qaeda e Estado Islâmico disputam liderança
A al-Qaeda na Península Arábica é uma fusão dos ramos saudita e iemenita da organização. Já a al-Qaeda no Mahgreb Islâmico tem origem argelina e está vinculada oficialmente à al-Qaeda desde 2006.
O comunicado é tanto mais notável pelo facto de ambas as fações se terem mantido, até aqui, fieis a Ayman al-Zawahiri, o médico egípcio que assumiu a liderança da al-Qaeda após a morte de Osama Bin Laden num raide norte-americano em 2011 e que expulsou o Estado Islâmico da organização.
O próprio Estado Islâmico é conhecido pelos seus métodos brutais, que incluem a decapitação de reféns e a crucificação de combatentes inimigos.
A organização liderada por Abu Bakr al-Baghdadi provocou uma onda de pânico no Médio Oriente e no resto do mundo quando iniciou uma onda expansionista através do norte do Iraque, conquistando cidades, massacrando prisioneiros e proclamando um califado nos territórios sírios e iraquianos que controla.
Quem manda na Jihad?
O Estado Islâmico tem vindo a combater as fações islamitas rivais, incluindo a Frente al-Nusra, que é o ramo oficial da al-Qaeda na Síria.
Noutro plano, a organização liderada por al-Baghdadi tem vindo a travar uma guerra de propaganda com a cúpula central da al-Qaeda, a quem tenta arrebatar a liderança do movimento jihadista mundial.
Para tentar contrariar a crescente perda de influência da al-Qaeda, o próprio Ayman al-Zawahiri anunciou, a 4 de setembro, a criação de uma filial da rede terrorista por ele liderada no subcontinente indiano. Um esforço que, como fica demonstrado, poderá ser insuficiente para estancar a deserção dos seus elementos para o Estado Islâmico.