Dominique Strauss-Khan ilibado no caso de proxenetismo do Carlton

O ex diretor geral do FMI era acusado de fornecer prostitutas para festas privadas em França, na Bélgica e nos Estados Unidos. O Ministério Público pedia a absolvição de Strauss-Khan por falta de provas e o Tribunal Correcional de Lille acabou por lhe dar razão.

RTP /
Pascal Rossignol - Reuters

Strauss-Khan arriscava uma pena de 10 anos de prisão e 1,5 milhões de euros de indemnização se fosse condenado.

Naquele que ficou conhecido como o "Caso do Carlton", o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional era uma de 12 pessoas acusadas de proxenetismo agravado em conluio organizado, favorecimento à prostituição e de participação em festas com prostitutas.

Mais de três anos depois do início do caso, o Tribunal Correcional de Lille concluiu pela falta de provas de que Strauss-Khan fosse o instigador da prostituição e que o seu comportamento como cliente não estava abrangido pela lei penal em vigor.

O veredicto foi, naturalmente, que o ex responsável pelo FMI podia sair em liberdade.
Lei ultrapassada
Strauss-Khan, de 66 anos e durante muitos anos uma das figuras de proa da esquerda francesa, assistiu impávido à leitura da sentença. O veredicto expressa a conclusão das três semanas de julgamento em fevereiro, em que o Ministério Público pediu a absolvição por falta de provas.

Sempre combativo, o ex-diretor do FMI negou sempre ser o instigador das orgias em que participava ou saber que as mulheres que nelas participavam eram pagas.

A carreira política de Dominique Strauss-Khan, em 2012 apontado como provável candidato à Presidência de França, foi minada por diversos escândalos sexuais desde que, há quatro anos, foi acusado de agressão sexual por uma criada do hotel Sofitel de Nova Iorque.

O julgamento do "caso do Carlton" acabou por ser usado para debater a lei de proxenetismo e de prostituição em França, considerada muitas vezes durante o processo como "ultrapassada" .
Só um condenado
Entre os outros acusados no "Caso Carlton", René Kojfer, o antigo responsável pelas relações públicas do hotel foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa, por proxenetismo não agravado.

Dominique Alderweireld, amigo de infância de Kofjer e um proxeneta assumido, com bares de prostitutas na Bélgica, conhecido como "Dodo la Saumure", foi libertado, assim como a sua companheira, Béatrice Legrain.

A procuradoria pedia para ele dois anos de prisão, um deles efetivo devido aos seus antecedentes criminais. Para ela eram pedidos três meses de detenção com pena suspensa.

Os empresários Fabrice Paszkowski e David Roquet, amigos de Strauss-Khan que organizavam as festas, o advogado Emmanuel Riglaire, o comissário Jean-Christophe Lagarde e os ex-responsáveis do Carlton, Hervé Franchois e Francis Henrion, foram igualmente libertados.
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