Donald Trump acusado de remover material classificado da Casa Branca

Os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos comunicaram ao Departamento da Justiça que foi encontrado material considerado classificado na casa de Donald Trump, em Mar-a-Lago. Congressistas democratas lembram que a retirada deste tipo de conteúdo constitui uma ofensa criminal.

RTP /
Reuters

A confirmação foi feita na última sexta-feira. Funcionários dos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos (no acrónimo em inglês NARA - National Archives and Records Administration) encontraram conteúdos classificados em caixas que Donald Trump retirou da Casa Branca sem autorização.

Os Arquivos revelaram também que o Departamento de Justiça foi alertado para o facto, numa altura em que Trump está a sofrer pressões do comité que investiga os acontecimentos de 6 de janeiro de 2021, quando o Capitólio, coração da democracia norte-americana, foi invadido pelos seus apoiantes.

Está a ser estudado, também, se Donald Trump, ao remover estes documentos, violou o Acto de Registos Presidenciais de 1978. David Ferriero, do NARA, enviou uma carta ao comité relatando que o ex-presidente tinha na sua posse documentos considerados “confidenciais sobre a segurança nacional”.

“Porque o NARA descobriu informações confidenciais nas caixas, os seus funcionários vão entrar em contacto com o Departamento de Justiça”, escreveu Ferriero.

Para além dos documentos encontrados, Ferriero explicou que vários tweets de Trump foram apagados, pelo que será difícil volta a reavê-los. “Alguns membros da Casa Branca conduziram negócios oficiais usando contas não oficiais de correio eletrónico”. Apesar da diculdade, os Arquivos dizem estar a tentar obter esses documentos.

É mais uma notícia de uma possível nova violação por parte de Donald Trump, acusado agora de desrespeitar legislação que manda preservar documentação da Casa Branca.

Em janeiro deste ano, os Arquivos Nacionais conseguiram reaver 15 caixas de informação, após negociações com os advogados de Donald Trump e que estavam na sua residência oficial, em Mar-a-Lago, na Florida.

As caixas continham documentos presidenciais, assim como cartas de Kim Jong-Un, uma carta deixada a Trump por Barack Obama e um modelo de um avião da Força Aérea.

No entanto, muito outro material encontrado foi classificado de confidencial, o que obrigou a consultas ao Departamento da Justiça no sentido de esclarecer se a manipulação de Trump desta documentação era ilegal.

A líder do comité que investiga os acontecimentos do Capitólio, Carolyn Maloney, notou na última semana que “retirar ou esconder documentos governamentais é uma ofensa criminal” e imputou responsabilidade jurídica ao ex-presidente.

Até agora, o Departamento de Justiça não fez qualquer comentário e não se sabe se irá abrir uma investigação criminal. Muitos especialistas consideram que uma criminalização no âmbito da violação do Ato de Registos Presidenciais é um passo difícil.
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