Doze primeiros-ministros em 32 anos

Aristides Gomes, primeiro vice- presidente do PAIGC, suspenso em Maio último de todas as actividades partidárias por um ano, tornou-se hoje no 12º primeiro-ministro em 32 anos de independência da Guiné-Bissau, sucedendo a Carlos Gomes Júnior.

Agência LUSA /

O primeiro chefe de um executivo na Guiné-Bissau foi Francisco Mendes, conhecido localmente por "Tchico Té", quando o país ascendeu unilateralmente à independência de Portugal, a 24 de Setembro de 1973, na altura em que o cargo se denominava "Comissário Principal".

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) foi obrigado a escolher um novo chefe de Governo nos finais dos anos 70, depois de "Tchico Té" ter falecido num acidente de viação próximo de Bafatá (leste).

A escolha recaiu naquele que é o actual Presidente da Guiné- Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, que acumulou o cargo com a tutela da pasta da Defesa até 14 de Novembro de 1980, dia em que liderou um golpe de Estado em que derrubou o regime de Luís Cabral, então chefe de Estado.

"Nino" Vieira ascendeu então à presidência do país e indigitou Vítor Saúde Maria para a chefia do Governo, até então ministro dos Negócios Estrangeiros e que, mais tarde, em 1991, fundou e liderou o Partido Unido Social-Democrata (PUSD).

Saúde Maria, que morreu em 2000, manteve-se no cargo até meados dos anos 80, altura em que foi acusado por "Nino" Vieira de fomentar uma tentativa de golpe de Estado.

Na ocasião, "Nino" Vieira acabou com o cargo de primeiro- ministro, só o voltando a criar com a abertura do país ao multipartidarismo, no início dos anos 90, tendo escolhido Carlos Correia para chefiar o executivo.

Carlos Correia seria primeiro-ministro até às primeiras eleições multipartidárias da História da Guiné-Bissau, em Julho de 2004, tendo o PAIGC saído vencedor e designado o então secretário nacional do partido, Manuel Saturnino Costa.

Contudo, em 1997, Saturnino Costa acabou por ser substituído no cargo novamente por Carlos Correia, que se manteve em funções até ao início do conflito militar de 07 de Junho de 1998, que levou à destituição, 11 meses mais tarde, a 07 de Maio de 1999, de "Nino" Vieira.

Em Dezembro de 1998, a Guiné-Bissau conhece o primeiro de dois governos de transição, com Francisco Fadul a assumir o cargo até à realização de eleições gerais, em Novembro de 1999, ganhas em toda a linha pelo Partido da Renovação Social (PRS), então liderado por Kumba Ialá.

Ao longo dos cerca de três anos e meio de presidência de Kumba Ialá (Fevereiro de 2000 a Setembro de 2003), a Guiné-Bissau conheceu quatro primeiros-ministros: Caetano Intchamá, Faustino Embali, Alamara Nhassé e Mário Pires.

Este último, acabaria por cair na sequência do golpe de Estado que também derrubou o regime de Kumba Ialá, a 14 de Setembro de 2003, a que se seguiu o segundo e último Governo de transição, liderado por Artur Sanhá, secretário-geral dos "renovadores".

Artur Sanhá chefiou a transição até às legislativas de Março de 2004, ganhas pelo PAIGC, e que levaram o líder do antigo partido único, Carlos Gomes Júnior, a assumir o executivo até à passada sexta- feira, dia em que "Nino" Vieira, vencedor das presidenciais de Junho e Julho deste ano, o exonerou.

Hoje, "Nino" Vieira, após cinco dias de consultas, nomeou Aristides Gomes para o cargo, decisão que é contestada pelo PAIGC, alegando que se trata de uma "inconstitucionalidade"

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