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Duplicaram os dias com temperaturas nos 50 graus
Mais zonas do mundo afetadas, o dobro de dias com temperaturas extremamente quentes, eventos climáticos de maior gravidade e mais frequentes. É uma análise feita pela BBC. Desde 1980 que o número de dias a bater os 50 graus subiram de 14 para 26 dias. O calor extremo está a afetar vidas em todo o mundo e a desertificação é um dos reflexos do clima em mudança.
No verão deste ano, registaram-se temperaturas recordes em Itália com 48,8 e o Canadá atingiu os 49,9 graus C.
E a nova análise climática global alerta que a quantidades de dias acima dos 50 graus vão continuar a alastrar a outras áreas do planeta se não houver uma redução das emissões de combustíveis fósseis.
"Precisamos agir rapidamente. Quanto mais rápido cortarmos as nossas emissões, melhor será para todos nós", diz Sihan Li, investigador climático da Escola de Geografia e Meio Ambiente da Universidade de Oxford.
"Com emissões contínuas e falta de ação, não apenas esses eventos de calor extremo se tornarão mais graves e mais frequentes, mas a resposta de emergência e a recuperação se tornarão mais desafiadoras", adverte Sihan Li.
Em 40 anos, essa frequência aumentou de 14 dias para 26, dizem os cientistas no estudo.
Concluíram também que as temperaturas máximas aumentaram 0,5 graus na última década, comparativamente aos anos entre 1980 e 2009.
O Ártico e o Médio Oriente foram zonas do planeta que registraram aumentos de mais de 2 ° celsius.
Os termómetros na Europa Oriental, no sul da África e no Brasil somaram mais de 1 ° C à temperatura máxima.
"O aumento pode ser 100% atribuído à queima de combustíveis fósseis", disse Friederike Otto, diretor associado do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford.
O impacto de calor extremo pode atingir cerca de 1,2 mil milhões de pessoas até 2100, se os níveis atuais de aquecimento global continuarem neste ritmo. O estudo da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, lançado em 2020, aponta que pelo menos quatro vezes mais pessoas serão afetadas.
À medida que a temperatura do planeta aumenta, mais secas e incêncios florestais são documentados, refletindo-se nos modos de vida das populações.
Todos estes novos dados sobre a mudança climática serviram de base para uma análise feita pela BBC que desenvolveu diversos documentários sobre a Vida nos 50 graus C (Life at 50C).
O canal britânico visitou Sheikh Kazem Al Kaabi no centro do Iraque. Al Kaabi é um agricultor de trigo e recorda que a terra em redor já foi fértil o suficiente para sustentar ele e seus vizinhos, mas aos poucos se tornou seca e estéril.
Os investigadores climáticos alertam os governos mundiais para agirem urgentemente. Em novembro deste ano irá decorrer em Glasgow, na Escócia, uma conferência sobre o clima. Líderes de 196 países vão discutir novos acordos para tentar controlar as mudanças climáticas.