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"É possível construirmos um novo país". Lula determinado a comandar a recuperação do Brasil
Em entrevista ao jornal The Guardian, Lula da Silva deixou claro que se está a preparar para as eleições presidenciais de 2022. O antigo presidente brasileiro está determinado a “consertar” os problemas do Brasil e liderar a recuperação do país, destruído pelo “psicopata” Bolsonaro.
Apesar de não admitir explicitamente que será candidato às eleições presidenciais do Brasil de 2022, o ex-presidente Lula da Silva, em entrevista ao jornal The Guardian, não deixou dúvidas de que está a planear aquela que será a sua sexta campanha presidencial.
“Eu corri oito quilómetros antes desta entrevista. E costumo correr nove quilómetros por dia, de segunda a sexta-feira, porque andar pelas ruas do Brasil vai ser muito difícil, muito cansativo e preciso de preparar as pernas para reparar os problemas deste país”, disse Lula ao jornal britânico.
Lula da Silva, que foi presidente do Brasil de 2003 a 2011, ainda não apresentou a sua candidatura oficial, mas na passada quarta-feira garantiu à revista francesa Paris Match que não hesitará em candidatar-se às eleições presidenciais de 2022 se for o favorito à vitória e tiver saúde.
Ao Guardian, o principal fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) explicou que devido à evolução da Covid-19 no Brasil ainda é muito cedo para colocar em marcha a sua campanha presidencial, a sexta desde 1989. No entanto, sublinhou que está determinado a liderar a recuperação do país.
“Assim que o nosso partido tiver o seu candidato e estivermos em campanha, quero viajar pelo Brasil, visitar todos os Estados, fazer debates, conversar com o povo, com as pessoas LGBT, visitar as favelas... Quero falar com a sociedade brasileira para poder dizer: 'É possível construirmos um novo país. É possível fazer este país feliz novamente’”, assegurou Lula.
Lula “é a fénix a surgir das cinzas”
As sondagens são favoráveis a Lula da Silva, que surge como uma alternativa mais moderada e otimista a Bolsonaro, cuja popularidade tem vindo a cair desde há meses, principalmente pela sua má gestão da pandemia da Covid-19, que inicialmente apelidou de “gripezinha”.
Segundo uma sondagem do Instituto Datafolha divulgada na semana passada, Lula teria ampla vantagem numa primeira volta do sufrágio presidencial (41 por cento) e venceria a presidência do Brasil na segunda volta, com 55 por cento dos votos contra Bolsonaro (32 por cento).
“Lula é claramente o favorito”, afirmou a The Guardian o consultor político Christian Lynch, sediado no Brasil.
Lynch explica que Lula é visto pela maioria dos eleitores como a oportunidade de virar a página sobre o reinado “infernal” de Bolsonaro e os próprios membros da elite política e económica preferem trabalhar com um negociador pragmático como Lula, do que com o “sectário intransigente” atualmente no poder.
“Ele [Lula] é a fénix a surgir das cinzas. É algo épico”, referiu o consultor político.
“O Brasil é um pária global”
Numa luta contra a sua popularidade, Jair Bolsonaro não tem poupado nas críticas a Lula da Silva, que apelidou de “vigarista” e “filho de Satanás”. Na passada quarta-feira, o chefe de Estado brasileiro disse mesmo que “um povo que vota num homem” como Lula da Silva “merece sofrer”.
Lula, por sua vez, também não se deixa ficar e descreve o atual presidente como “psicopata”. “Não estamos a lidar com um ser humano normal. Estamos a lidar com um psicopata que não tem a menor capacidade de governar”, defendeu Lula da Silva ao Guardian.
“Nos últimos dois ou três anos, Bolsonaro quase não pronunciou o meu nome porque pensava que eu estava fora do jogo. E agora, de repente, ele percebe que eu estou a segurar todas as melhores cartas e, se isto fosse póquer, ele já teria perdido”, acrescentou Lula.
O antigo presidente brasileiro é especialmente crítico à gestão da pandemia da Covid-19 por parte de Bolsonaro, responsabilizando o atual chefe de Estado pelo “maior genocídio” da história do Brasil.
Desde o início da pandemia, o Brasil registou mais de 440 mil mortos. “Ele podia ter evitado metade dessas mortes”, defendeu Lula da Silva.
“Eu corri oito quilómetros antes desta entrevista. E costumo correr nove quilómetros por dia, de segunda a sexta-feira, porque andar pelas ruas do Brasil vai ser muito difícil, muito cansativo e preciso de preparar as pernas para reparar os problemas deste país”, disse Lula ao jornal britânico.
“Vou fazer 77 anos [no próximo ano]. Eu achava que era velho. Mas depois vi Biden vencer as eleições aos 78 anos e disse para mim: ‘Eu sou um menino comparado com Biden, por isso talvez me aguente’”, acrescentou Lula.
Os rumores sobre a corrida à presidência por parte de Lula da Silva surgiram depois de o plenário do Supremo Tribunal Federal do Brasil ter confirmado, em abril deste ano, a anulação das condenações de Lula no âmbito da operação Lava Jato, em Curitiba, que impediam legalmente a sua candidatura às presidenciais.
Lula da Silva, que foi presidente do Brasil de 2003 a 2011, ainda não apresentou a sua candidatura oficial, mas na passada quarta-feira garantiu à revista francesa Paris Match que não hesitará em candidatar-se às eleições presidenciais de 2022 se for o favorito à vitória e tiver saúde.
Ao Guardian, o principal fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) explicou que devido à evolução da Covid-19 no Brasil ainda é muito cedo para colocar em marcha a sua campanha presidencial, a sexta desde 1989. No entanto, sublinhou que está determinado a liderar a recuperação do país.
“Assim que o nosso partido tiver o seu candidato e estivermos em campanha, quero viajar pelo Brasil, visitar todos os Estados, fazer debates, conversar com o povo, com as pessoas LGBT, visitar as favelas... Quero falar com a sociedade brasileira para poder dizer: 'É possível construirmos um novo país. É possível fazer este país feliz novamente’”, assegurou Lula.
Lula “é a fénix a surgir das cinzas”
As sondagens são favoráveis a Lula da Silva, que surge como uma alternativa mais moderada e otimista a Bolsonaro, cuja popularidade tem vindo a cair desde há meses, principalmente pela sua má gestão da pandemia da Covid-19, que inicialmente apelidou de “gripezinha”.
Segundo uma sondagem do Instituto Datafolha divulgada na semana passada, Lula teria ampla vantagem numa primeira volta do sufrágio presidencial (41 por cento) e venceria a presidência do Brasil na segunda volta, com 55 por cento dos votos contra Bolsonaro (32 por cento).
“Lula é claramente o favorito”, afirmou a The Guardian o consultor político Christian Lynch, sediado no Brasil.
Lynch explica que Lula é visto pela maioria dos eleitores como a oportunidade de virar a página sobre o reinado “infernal” de Bolsonaro e os próprios membros da elite política e económica preferem trabalhar com um negociador pragmático como Lula, do que com o “sectário intransigente” atualmente no poder.
“Ele [Lula] é a fénix a surgir das cinzas. É algo épico”, referiu o consultor político.
“O Brasil é um pária global”
Numa luta contra a sua popularidade, Jair Bolsonaro não tem poupado nas críticas a Lula da Silva, que apelidou de “vigarista” e “filho de Satanás”. Na passada quarta-feira, o chefe de Estado brasileiro disse mesmo que “um povo que vota num homem” como Lula da Silva “merece sofrer”.
Lula, por sua vez, também não se deixa ficar e descreve o atual presidente como “psicopata”. “Não estamos a lidar com um ser humano normal. Estamos a lidar com um psicopata que não tem a menor capacidade de governar”, defendeu Lula da Silva ao Guardian.
“Nos últimos dois ou três anos, Bolsonaro quase não pronunciou o meu nome porque pensava que eu estava fora do jogo. E agora, de repente, ele percebe que eu estou a segurar todas as melhores cartas e, se isto fosse póquer, ele já teria perdido”, acrescentou Lula.
O antigo presidente brasileiro acusa ainda Bolsonaro de ter transformado o Brasil num “pária global”. “Hoje, o Brasil é um pária global. Não há nenhum país com credibilidade que goste do Brasil. Não há nenhum país que queira receber o presidente brasileiro e nenhum presidente quer vir cá”, afirmou Lula, que admitiu à revista francesa ter sido “um bom presidente”. “Fiz laços fortes com a Europa, América do Sul, África, Estados Unidos, China, Rússia. Durante o meu mandato, o Brasil converteu-se num ator mundial de envergadura", disse Lula.
Desde o início da pandemia, o Brasil registou mais de 440 mil mortos. “Ele podia ter evitado metade dessas mortes”, defendeu Lula da Silva.
O Senado brasileiro está atualmente a investigar a atuação do Governo e a forma como Bolsonaro tem lidado com a pandemia, tendo já arrancado os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, instaurada pelo Supremo Tribunal Federal. Lula da Silva não tem dúvidas de que Bolsonaro será responsabilizado, seja por meio de um processo de impeachment, inquérito parlamentar ou pelo próprio povo brasileiro.
“Marquem as minhas palavras. Não será Lula quem derrotará Bolsonaro. Não será nenhum candidato. Será o povo brasileiro que se libertará de Bolsonaro”, defendeu Lula da Silva durante a entrevista ao jornal britânico.