É seguro voltar para casa em Timor-Leste
O tenente-coronel Mick Mumford, responsável pelas forças australianas em Díli, garantiu hoje aos timorenses que é seguro voltarem para casa, ainda que admita que há grupos armados nas ruas.
"É seguro voltar para casa, apesar de existirem gangs na rua os nossos homens também estão na rua e nós conseguimos desarmar esses grupos, e por isso é seguro voltar para casa", disse o responsável em conferência de imprensa.
Mick Mumford fez um balanço dos últimos dias de conflitos em Díli, afirmando que foram reportados 72 casos de tiros nos bairros de Díli, mas acrescentou que domingo só foram reportados cinco casos.
Até agora, acrescentou, as tropas australianas confiscaram 225 armas, "algumas previamente utilizadas pela polícia e pelo exército e que foram parar às mãos erradas", e outras "de fabrico caseiro".
As tropas australianas em Díli não fizeram, até agora, qualquer detenção, disse também o responsável, lembrando que segunda- feira se entregaram aos militares australianos 130 polícias.
"A situação de segurança está estabilizada em Díli", concluiu.
Mick Mumford escusou-se a precisar uma data para o início de "manobras de protecção" à ajuda humanitária, que não começarão enquanto a "segurança pública não estiver totalmente controlada".
"A paz não é a ausência de crime, a nossa prioridade é tentar desarmar os grupos de criminosos, não vale a pena proteger os sacos de arroz das pessoas para que cinco minutos depois esses sacos sejam roubados", afirmou.
Hoje, pelo segundo dia consecutivo e depois de uma vaga de confrontos na semana passada, a capital timorense acordou sem tiros nas ruas mas com a continuação de pilhagens e casas incendiadas.
Numa volta pela cidade a Agência Lusa viu habitações em chamas nos bairros Delta e Kampung Baru e na Avenida dos Coqueiros, e assistiu a actos de violência esporádicos entre jovens timorenses.