Ébola. OMS pede ensaio clínico da vacina Ervebo

Ébola. OMS pede ensaio clínico da vacina Ervebo

A ausência de uma vacina específica contra a variante Bundibugyo do vírus Ébola, levou os especialistas da Organização Mundial de Saúde a recomendar, esta sexta-feira, um ensaio clínico da única vacina licenciada contra o Ébola.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Esforços de combate a epidemia do Ébola na RDC Foto: Reuters

A vacina Ervebo foi desenvolvida contra a estirpe Zaire do vírus Ébola e espera-se que possa ajudar a mitigar a expansão da variante Bundibugyo, que está a espalhar-se rapidamente pela República Democrática do Congo. O surto é já considerado o maior da sua história e pode "tornar-se o maior já registado no mundo", segundo Sania Nishtar, diretora executiva da aliança de vacinas Gavi.

O surto, com origem na província de Ituri (nordeste), alastrou a várias províncias do nordeste e do leste, principalmente Kivu do Norte, regiões onde a presença do Estado é frágil e as infraestruturas de saúde são extremamente precárias.

Contabilizam-se já mais de 4.000 casos desde a eclosão da epidemia, a 17ª de Ébola na RDC, incluindo durante um período desconhecido de contágio antes de ter sido oficalmente reconhecida a 15 de maio passado.

As autoridades congolesas reportaram até agora 1.850 mortes confirmadas. Na epidemia mais mais mortífera do país, entre 2018 e 2020, contabilizaram-se quase 2.300 mortes em 3.500 casos registados.

A falta de vacina específica contra a variante Bundibugyo tem dificultado o combate à epidemia em curso. 

Os especialistas da OMS recomendam por isso "dar prioridade à Ervebo, a única vacina licenciada contra o Ébola, para um ensaio clínico randomizado no contexto da epidemia em curso", Novos dados preliminares recolhidos a partir de estudos com animais mostram que a vacina Ervebo oferece alguma proteção contra a variante Bundibugyo, sem que tenha sido observada qualquer preocupação importante com a segurança, afirmou a OMS em comunicado de imprensa.

Os detalhes do ensaio clínico com a vacina Ervebo, provavelmente de fase 3, ainda não foram finalizados, mas espera-se que seja conduzido em larga escala, com milhares de participantes, na República Democrática do Congo, o único país onde a variante Bundibugyo está atualmente a circular.

Doses da Ervebo provenientes do stock global de vacinas contra o Ébola, criado e financiado pela aliança de vacinas Gavi, deverão ser disponibilizadas para apoiar os ensaios clínicos, afirmou a organização num comunicado divulgado após o anúncio da OMS.

O stock global de Ervebo, produzido pela farmacêutica norte-americana Merck, contém aproximadamente 500 mil doses, algumas das quais estão armazenadas permanentemente na República Democrática do Congo (RDC) devido à frequência dos surtos no país, explicou a Gavi.

O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, saudou na rede X a "boa notícia" quanto ao ensaio com a Ervebo.  Diversas variantes do vírus Ébola, transmitido através do contacto com fluidos corporais e que provoca febre hemorrágica, já causaram a morte de mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.

Atualmente, a gigante farmacêutica americana Moderna está em ensaios clínicos de uma vacina contra a Bundibugyo. 

Estão ainda em desenvolvimento outras duas candidatas: a vacina "rVSV Bundibugyo", descrita pela OMS como "a mais promissora" e desenvolvida pelos Laboratórios Hilleman, e uma vacina da Universidade de Oxford, cujo primeiro voluntário recebeu uma dose no final de julho.

Ensaios clínicos para avaliar vários tratamentos, como o antiviral remdesivir, o anticorpo monoclonal MBP134 e um tratamento preventivo oral desenvolvido pela Gilead, o antiviral obeldesivir, estão também em curso.

c/agências
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