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Ébola. OMS pede ensaio clínico da vacina Ervebo
A ausência de uma vacina específica contra a variante Bundibugyo do vírus Ébola, levou os especialistas da Organização Mundial de Saúde a recomendar, esta sexta-feira, um ensaio clínico da única vacina licenciada contra o Ébola.
A vacina Ervebo foi desenvolvida contra a estirpe Zaire do vírus Ébola e espera-se que possa ajudar a mitigar a expansão da variante Bundibugyo, que está a espalhar-se rapidamente pela República Democrática do Congo. O surto é já considerado o maior da sua história e pode "tornar-se o maior já registado no mundo", segundo Sania Nishtar, diretora executiva da aliança de vacinas Gavi.
O surto, com origem na província de Ituri (nordeste), alastrou a várias
províncias do nordeste e do leste, principalmente Kivu do Norte, regiões
onde a presença do Estado é frágil e as infraestruturas de saúde são
extremamente precárias.
As autoridades congolesas reportaram até agora 1.850 mortes confirmadas. Na epidemia mais mais mortífera do país, entre 2018 e 2020, contabilizaram-se quase 2.300 mortes em 3.500 casos registados.
A falta de vacina específica contra a variante Bundibugyo tem dificultado o combate à epidemia em curso.
Os especialistas da OMS recomendam por isso "dar prioridade à Ervebo, a única
vacina licenciada contra o Ébola, para um ensaio clínico randomizado no
contexto da epidemia em curso", Novos dados preliminares recolhidos a partir de estudos com animais mostram que a vacina Ervebo oferece alguma proteção contra a variante Bundibugyo, sem que tenha sido observada qualquer preocupação importante com a segurança, afirmou a OMS em comunicado de imprensa.
Os detalhes do ensaio clínico com a vacina Ervebo, provavelmente de fase 3, ainda não
foram finalizados, mas espera-se que seja conduzido em larga escala, com
milhares de participantes, na República Democrática do Congo, o único país onde a variante Bundibugyo está atualmente a circular.
Doses da Ervebo provenientes do stock global de vacinas contra o
Ébola, criado e financiado pela aliança de vacinas Gavi, deverão ser
disponibilizadas para apoiar os ensaios clínicos, afirmou a organização
num comunicado divulgado após o anúncio da OMS.
O stock global de Ervebo, produzido pela farmacêutica norte-americana Merck, contém aproximadamente 500 mil doses, algumas das quais estão armazenadas permanentemente na República Democrática do Congo (RDC) devido à frequência dos surtos no país, explicou a Gavi.
Atualmente, a gigante farmacêutica americana Moderna está em ensaios clínicos de uma vacina contra a Bundibugyo.
Estão ainda em desenvolvimento outras duas candidatas: a vacina "rVSV Bundibugyo", descrita pela OMS
como "a mais promissora" e desenvolvida pelos Laboratórios Hilleman, e
uma vacina da Universidade de Oxford, cujo primeiro voluntário recebeu
uma dose no final de julho.
Ensaios clínicos para avaliar vários tratamentos, como o antiviral remdesivir, o anticorpo monoclonal MBP134 e um tratamento
preventivo oral desenvolvido pela Gilead, o antiviral obeldesivir, estão também em curso.
c/agências