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Edição de células para eliminar mutações genéticas pode deixá-las vulneráveis a tumores
O ano passado um estudo mostrou ser possível editar mutações genéticas, trocando-as por genes saudáveis. Recentemente, um outro grupo de cientistas descobriu que um dos processos inerentes a essa edição pode aumentar o risco de cancro. A investigação foi publicada esta segunda-feira na revista britânica Nature.
O estudo liderado por Jussi Taipale, da Universidade de Cambridge, descobriu que a possibilidade de editar genes levanta questões que precisam de ser analisadas.
A edição de genes é feita com recurso a uma espécie de tesoura genética, denominada de CRISPR-Cas9. Desta forma, é possível cortar os genes responsáveis por mutações e substituí-los por genes saudáveis.
Quando se edita um gene específico, utilizando o CRISPR-Cas9, é desencadeado um mecanismo que protege a célula de ser danificada a nível do ADN. Esse mecanismo, denominado p53, torna o processo de edição mais difícil. O que a equipa de Jussi Taipale descobriu é que, ao inibir o mecanismo de proteção, para facilitar o processo de edição, podem decorrer alguns riscos.
Quando se edita um gene específico, utilizando o CRISPR-Cas9, é desencadeado um mecanismo que protege a célula de ser danificada a nível do ADN. Esse mecanismo, denominado p53, torna o processo de edição mais difícil. O que a equipa de Jussi Taipale descobriu é que, ao inibir o mecanismo de proteção, para facilitar o processo de edição, podem decorrer alguns riscos.
No fundo, ao "desligar" o p53 corre-se o risco de libertar células cujo genoma não terá um mecanismo de proteção, ficando assim mais expostas a tumores. Uma vez inibido o p53, a ausência do mecanismo de proteção contra danos de ADN em determinadas células não pode ser corrigido.
Resultados não são causa para alarmeDarren Griffin, um especialista de genética na Universidade de Kent, que não esteve envolvido no estudo, afirma que os resultados “são caso para precaução, mas não necessariamente alarme”.
“Quase todos os tratamentos que têm um poder benéfico também têm o poder para causar danos, e esta descoberta deve ser considerada neste contexto complexo”, afirmou Griffin.
Taipale defendeu que não quer parecer “alarmista” e que tanto ele como a sua equipa não estão a insinuar que a utilização de CRISPR-Cas9 seja perigosa.
“Apesar de ainda não percebermos os mecanismos acreditamos que os investigadores devem estar atentos para os potenciais riscos aquando o desenvolvimento de novos tratamentos”, afirmou Taipale.
Acrescentou ainda que, assim que os cientistas perceberem melhor as respostas desencadeadas pela utilização do CRISPR-Cas9, será possível descobrir formas de ultrapassar o problema.