Edifício da Gestapo em Hamburgo transformado em complexo de apartamentos

É uma medida que está a indignar os familiares de pessoas torturadas pelo regime Nazi. Na cidade de Hamburgo, o antigo edifício da Gestapo está a ser transformado num complexo de apartamentos de luxo e muitas são as vozes que se insurgem.

Inês Geraldo - RTP /
Um grupo de manifestantes juntou-se na passada terça-feira diante do edifício Reuters

Os proprietários e os arquitetos dizem que o novo projeto vai dar vida a um local que se encontra pouco desenvolvido, enquanto aqueles que se opõem queixam-se do facto de o memorial que devia lembrar aqueles que foram torturados e interrogados no edifício, antes de serem deportados para campos de concentração, se cingir a uma pequena divisão.

Um grupo de manifestantes juntou-se na passada terça-feira diante do edifício, numa data que lembrou o 85.º aniversário da eleição de Adolf Hitler como chanceler alemão. Muitos seguravam fotografias de pessoas que foram torturadas, supondo-se serem familiares.

“Estamos a falar, nada menos, do local central desta cidade para onde eram trazidas pessoas para serem torturadas”, declarou um dos manifestantes.

“Ninguém que foi trazido para cá para ser interrogado saiu sem ferimentos”, exclamou um outro manifestante, que teve um familiar torturado na sede da Gestapo de Hamburgo em 1933. “Temos uma obrigação social em fazer isto. Devemos isto aos que morreram”.

O grupo protesta sob o slogan “Comércio em vez da comemoração? Nunca!” e lembrou a inscrição do edifício, em ferro forjado, que faz recordar Auschwitz.
Apartamentos, hotel e bares
O edifício foi vendido em 2009 a um grupo de empresários pelo Partido Democrata Cristão. O contrato de venda incluía uma recomendação para que os novos proprietários colocassem uma divisão não-comercial de mil metros quadrados para dignificar o papel histórico do local entre 1933 e 1943.

O antigo edifício da Gestapo tem 100 mil metros quadrados e vai ter 88 apartamentos de luxo, 15 mil metros quadrados de espaço para escritórios, um hotel com 126 quartos, aos quais se juntam restaurantes, bares, boutiques e um terraço no telhado.

Mesmo com o pedido de um espaço para lembrar a História, o local que lhe é destinado tem hoje apenas 70 metros quadrados numa pequena livraria. Existem ainda duas placas e três Stolpersteine, pedras de bronze, que lembram os episódios dantescos vividos no local.

As autoridades culturais de Hamburgo revelaram que vão trabalhar em conjunto com os familiares daqueles que morreram para criar um conceito que relembre tudo o que aconteceu no local.
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