Egípcios enfrentam meses de estado de emergência após ataques a igrejas

O duplo ataque do autoproclamado Estado Islâmico a igrejas coptas de Alexandria e Tanta, que causou mais de quatro dezenas de mortos, levou o Presidente egípcio, Abdul Fattah al-Sisi, a decretar três meses de estado de emergência no país. A medida abre caminho a detenções e buscas sumárias.

Carlos Santos Neves - RTP /
Dois atentados à bomba contra igrejas cristãs coptas em Tanta e Alexandria fizeram no domingo mais de quatro dezenas de mortos Mohamed Abd El Ghany - Reuters

O anúncio do Presidente egípcio, transmitido pelas televisões do país, seguiu-se a uma reunião do Conselho de Defesa Nacional dedicada aos atentados cometidos em Domingo de Ramos, início da semana santa para os cristãos, e reivindicados no mesmo dia pelo Daesh.Os atentados contra igrejas cristãs na cidade setentrional de Alexandria e em Tanta, a norte do Cairo, fizeram pelo menos 44 mortos e largas dezenas de feridos.


Abdul Fattah al-Sisi advertiu os egípcios para um combate “longo e doloroso” contra o extremismo islâmico e sublinhou que o estado de emergência só poderá vigorar pelo prazo estabelecido uma vez percorridos todos “os passos legais”, ao abrigo da Constituição.

Na prática, o Parlamento terá de pronunciar-se nos próximos sete dias. O que não deverá constituir obstáculo à ordem presidencial, tendo em conta a ampla maioria que secunda o regime de Abdul Fattah al-Sisi.

Antes mesmo de se dirigir ao país, o Presidente ordenara o destacamento de unidades militares para a proteção de “infraestruturas vitais” espalhadas pelo território egípcio.

Dois atentados cometidos em igrejas coptas de Alexandria e Tanta, no início da semana santa, fizeram perto de quatro dezenas de mortos.


A medida anunciada a partir do Palácio Presidencial, em vigor desde as 13h00 locais (11h00 em Lisboa), deverá suscitar preocupações entre ativistas dos Direitos Humanos, observa a edição online da BBC.

Al-Sisi tem sido vastamente acusado de impor políticas restritivas dos direitos civis e políticos no Egito.
Os ataques

Os atentados foram cometidos - segundo a reivindicação do Estado Islâmico, através da agência de propaganda jihadista Amaq – por dois bombistas suicidas.

Ana Romeu, Luís Moreira - RTP 

A primeira explosão deu-se no interior da Igreja de São Jorge, em Tanta, onde morreram 27 pessoas. Poucas horas depois, a polícia impediu um bombista de entrar na Igreja de São Marcos, em Alexandria. O homem fez-se explodir à entrada do templo, causando 17 mortos.

Estes ataques tiveram lugar a poucas semanas de uma visita do Papa Francisco ao Egito destinada a expressar o apoio do Vaticano aos cristãos daquele país do Médio Oriente, que representam dez por cento da população.
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