“El Chapo” considerado culpado em tribunal

O narcotraficante mexicano Joaquín Guzmán, conhecido por “El Chapo”, foi esta terça-feira dado como culpado por um tribunal norte-americano, ao fim de seis dias de deliberações. A sentença apenas será conhecida a 25 de junho, mas o veredito poderá significar prisão perpétua.

Joana Raposo Santos - RTP /
Joaquín Guzmán, de 61 anos, é acusado de dez crimes Henry Romero - Reuters

Joaquín Guzmán, de 61 anos, é acusado de dez crimes que incluem tráfico de drogas e a liderança de uma rede criminosa, nomeadamente o cartel do Estado mexicano de Sinaloa, considerado o maior fornecedor de estupefacientes para os Estados Unidos.

Durante o julgamento, que contou com os depoimentos de mais de 50 testemunhas, os procuradores avançaram que Guzmán fez chegar aos EUA toneladas de cocaína, heroína, marijuana e metanfetaminas ao longo de mais de duas décadas.No México, de onde conseguiu por duas vezes escapar da prisão, terá conseguido manter o seu poder através de assassínios e lutas com cartéis rivais.

Entre as testemunhas encontrava-se um antigo guarda-costas que disse ter visto Guzmán matar três membros de cartéis rivais, incluindo um homem que baleou e mandou enterrar ainda com vida.

Um antigo braço direito de “El Chapo” avançou que o ex-Presidente mexicano Enrique Peña Nieto chegou a aceitar um suborno de 100 milhões de dólares por parte do traficante. Um porta-voz do antigo Presidente negou a acusação.

A mesma testemunha revelou ainda que o narcotraficante mantinha relações sexuais com raparigas menores, referindo os casos de jovens de 13 anos que drogou antes de violar.
Fortuna de milhões de dólares
“El Chapo”, alcunha relacionada com a baixa estatura de Guzmán, cresceu numa zona rural e pobre do México. Não é certa a quantia que terá alcançado com o tráfico mas, em 2009, a revista Forbes estimou a sua fortuna em mil milhões de dólares.

Tornou-se num dos narcotraficantes mais conhecidos do mundo, muitas vezes comparado ao colombiano Pablo Escobar, morto pela polícia em 1993.

Nesse ano, Guzmán foi detido pelas autoridades mexicanas mas conseguiu escapar em 2001, escondido num carrinho de lavandaria. Passou os anos seguintes a deslocar-se de esconderijo em esconderijo, sempre protegido por seguranças privados.

Em 2014 foi novamente capturado, tendo fugido no ano seguinte através de um túnel escavado a partir da sua cela.

Foi encontrado pelas autoridades em 2016 e, um ano depois, extraditado para os EUA. Guzmán foi o primeiro líder de um cartel a ir a julgamento em vez de se dar como culpado.
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