Mundo
"El Comandante" Hugo Chávez
Era um antigo paraquedista militar e assumia-se como defensor dos pobres e desfavorecidos. Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela em 1999 e nunca mais deixou de liderar os destinos do país de forma quase absoluta, apesar da contestação interna e externa. Sobreviveu a um golpe de Estado em 2002 e só foi vencido pelo próprio corpo. Para muitos portugueses era um amigo do país, para outros era um ditador.
Hugo Chávez Frias fica na História como um homem amado pelos apoiantes e odiado pelos detratores, cujo estilo e personalidade não deixavam ninguém indiferente.
O Presidente venezuelano elegeu como inimigo preferencial aquilo que apelidava de "imperialismo dos Estados Unidos" e denunciou repetidas vezes a ingerência norte-americana nos países vizinhos.
Chávez reavivou também na América Latina vários regimes de esquerda. Após a sua primeira eleição na Venezuela em 1998, com 56 por cento dos votos, surgiram Lula da Silva, no Brasil, Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador, e Daniel Ortega regressou ao poder na Nicarágua.
Muito próximo do regime de Cuba, Chávez ligou-se ainda a outros líderes controversos, como Mahmmud Ahmadinejad, o Presidente do Irão, Bashar al-Assad, o Presidente da Síria, e o líder deposto e morto da Líbia, Muammar Kadhafi.
Os inimigos de Chávez acusavam-no de usar os recursos estatais da Venezuela, especialmente o petróleo, para se eternizar no poder.
Já o próprio Chávez afirmava estar a defender os interesses do povo e dos mais pobres, ao usar o petróleo para implementar políticas socialistas, incluindo educação e serviços de saúde para todos. Apesar destas "missões", o desemprego e a pobreza continuam a caracterizar a Venezuela.
O "amigo Chávez"
Em Portugal, o nome de Hugo Chávez fica ligado a José Sócrates, a quem considerava o seu maior amigo europeu. Numa campanha de reeleição, Chávez usou mesmo um cartaz onde pontificava ao lado do ex-primeiro-ministro de Portugal.
Noutra ocasião Hugo Chávez elogiou os computadores Magalhães, uma das iniciativas tecnológicas portuguesas apoiada por Sócrates, deixando cair um deles ao chão durante um conselho de ministros, para provar a excelência e durabilidade do equipamento.
Habituado a longos discursos transmitidos pela televisão venezuelana, entremeados com anedotas, canções e insultos, Hugo Chávez repetia a receita onde quer que tivesse oportunidade de discursar.
Em 2007, na XVII Cimeira Ibero-americana, quando criticava Espanha num discurso caracteristicamente inflamado, provocou mesmo o Rei espanhol, Juan Carlos, que o repreendeu com a pergunta "porque não te calas?", que ficou célebre.
"El Comandante"
Em 1982 Hugo Chávez foi co-fundador do Movimento Bolivariano Revolucionário 200, composto por oficiais subalternos, tendo liderado em 1992 uma intentona contra o então Presidente Carlos Andrés Pérez. Preso, foi depois indultado por Rafael Caldera.Hugo Chávez nasceu a 28 de julho de 1954 e foi o segundo de sete filhos de um casal de professores de uma zona rural. Era ainda bisneto de um abastado general, Pedro Pérez Delgado, conhecido como Maisanta, que lutou contra a ditadura de Juan Vicente Gomez.
Educado na religião católica, como a maioria dos venezuelanos, Chávez divorciou-se duas vezes. Era admirador confesso de Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Karl Marx. A partir da primeira presidência, ganhou todas as eleições que disputou.
Logo que assumiu a Presidência em 1999, Chávez mudou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, dissolveu o Congresso e reformou a Constituição. Alargou ainda de quatro para seis anos o mandato presidencial.
Chamava-se a si próprio "El Comandante" e assumia como missão promover e implantar um "socialismo do século XXI", inspirado pelo herói da independência da Venezuela Simón Bolívar. Nacionalizou a Eletricidade de Caracas, a Companhia Anónima Nacional de Telefones da Venezuela e vários bancos, incluindo sucursais de bancos estrangeiros.
Em 2002, o multimilionário venezuelano Pedro Carmona assumiu o poder num golpe de Estado, após uma greve geral que arrastou milhões de venezuelanos. Anulou a Constituição, mas não teve seguidores, e três dias depois Chávez regressou ao poder, acusando os Estados Unidos de estarem por trás do golpe.
"El comandante" passou então a dividir o mundo em amigos e inimigos.
Apesar de se assumir como dirigente de uma "democracia participativa", Chávez não gostava de ser contrariado e usava sem escrúpulos os recursos de comunicação da Presidência para anular qualquer competição política. Apelidava os opositores de "traidores" e "apátridas."
Vencido pelo cancro
Na última eleição presidencial, em outubro de 2012, Chávez foi reeleito com 54,42 por cento dos votos, mas não chegou a tomar posse, por estar ausente em Cuba em tratamentos a um cancro na zona pélvica.A doença foi-lhe diagnosticada em julho de 2011. No seu estilo característico, Chávez celebrou o êxito das duas primeiras operações com alegria e espalhafato, afirmando-se em maio de 2012 "livre de cancro." Teve forças para disputar e vencer de novo as eleições presidenciais mas em dezembro, contudo, foi forçado a regressar a Cuba para novas cirurgias.
Seguiu-se um debate interno sobre a capacidade de Chávez para assumir o Governo da Venezuela, que culminou no adiamento da tomada de posse.
Durante semanas nada se soube do seu estado de saúde, apesar da insistência da Oposição venezuelana. Algumas fotografias suas numa cama de hospital em Cuba, divulgadas a 14 de fevereiro, não acalmaram os rumores sobre a gravidade da doença.
Em fevereiro, Chávez anunciou no twitter que estava de regresso à Venezuela, sem que esse momento tenha ficado registado. Foram depois publicadas fotografias de Chávez com as duas filhas, tendo-se falado de que estava a recuperar.
"El comandante" acabou por falecer a meio da tarde do dia 5 de março de 2013, após complicações respiratórias.
De acordo com a Constituição, vão ser marcadas eleições num prazo de 30 dias, já que Chávez nunca chegou a tomar posse. Até lá, o vice-presidente Nicolas Maduro promete assegurar interinamente a Chefia do Estado e do Governo.
O Presidente venezuelano elegeu como inimigo preferencial aquilo que apelidava de "imperialismo dos Estados Unidos" e denunciou repetidas vezes a ingerência norte-americana nos países vizinhos.
Chávez reavivou também na América Latina vários regimes de esquerda. Após a sua primeira eleição na Venezuela em 1998, com 56 por cento dos votos, surgiram Lula da Silva, no Brasil, Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador, e Daniel Ortega regressou ao poder na Nicarágua.
Muito próximo do regime de Cuba, Chávez ligou-se ainda a outros líderes controversos, como Mahmmud Ahmadinejad, o Presidente do Irão, Bashar al-Assad, o Presidente da Síria, e o líder deposto e morto da Líbia, Muammar Kadhafi.
Os inimigos de Chávez acusavam-no de usar os recursos estatais da Venezuela, especialmente o petróleo, para se eternizar no poder.
Já o próprio Chávez afirmava estar a defender os interesses do povo e dos mais pobres, ao usar o petróleo para implementar políticas socialistas, incluindo educação e serviços de saúde para todos. Apesar destas "missões", o desemprego e a pobreza continuam a caracterizar a Venezuela.
O "amigo Chávez"
Em Portugal, o nome de Hugo Chávez fica ligado a José Sócrates, a quem considerava o seu maior amigo europeu. Numa campanha de reeleição, Chávez usou mesmo um cartaz onde pontificava ao lado do ex-primeiro-ministro de Portugal.
Noutra ocasião Hugo Chávez elogiou os computadores Magalhães, uma das iniciativas tecnológicas portuguesas apoiada por Sócrates, deixando cair um deles ao chão durante um conselho de ministros, para provar a excelência e durabilidade do equipamento.
Habituado a longos discursos transmitidos pela televisão venezuelana, entremeados com anedotas, canções e insultos, Hugo Chávez repetia a receita onde quer que tivesse oportunidade de discursar.
Em 2007, na XVII Cimeira Ibero-americana, quando criticava Espanha num discurso caracteristicamente inflamado, provocou mesmo o Rei espanhol, Juan Carlos, que o repreendeu com a pergunta "porque não te calas?", que ficou célebre.
"El Comandante"
Em 1982 Hugo Chávez foi co-fundador do Movimento Bolivariano Revolucionário 200, composto por oficiais subalternos, tendo liderado em 1992 uma intentona contra o então Presidente Carlos Andrés Pérez. Preso, foi depois indultado por Rafael Caldera.Hugo Chávez nasceu a 28 de julho de 1954 e foi o segundo de sete filhos de um casal de professores de uma zona rural. Era ainda bisneto de um abastado general, Pedro Pérez Delgado, conhecido como Maisanta, que lutou contra a ditadura de Juan Vicente Gomez.
Educado na religião católica, como a maioria dos venezuelanos, Chávez divorciou-se duas vezes. Era admirador confesso de Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Karl Marx. A partir da primeira presidência, ganhou todas as eleições que disputou.
Logo que assumiu a Presidência em 1999, Chávez mudou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, dissolveu o Congresso e reformou a Constituição. Alargou ainda de quatro para seis anos o mandato presidencial.
Chamava-se a si próprio "El Comandante" e assumia como missão promover e implantar um "socialismo do século XXI", inspirado pelo herói da independência da Venezuela Simón Bolívar. Nacionalizou a Eletricidade de Caracas, a Companhia Anónima Nacional de Telefones da Venezuela e vários bancos, incluindo sucursais de bancos estrangeiros.
Em 2002, o multimilionário venezuelano Pedro Carmona assumiu o poder num golpe de Estado, após uma greve geral que arrastou milhões de venezuelanos. Anulou a Constituição, mas não teve seguidores, e três dias depois Chávez regressou ao poder, acusando os Estados Unidos de estarem por trás do golpe.
"El comandante" passou então a dividir o mundo em amigos e inimigos.
Apesar de se assumir como dirigente de uma "democracia participativa", Chávez não gostava de ser contrariado e usava sem escrúpulos os recursos de comunicação da Presidência para anular qualquer competição política. Apelidava os opositores de "traidores" e "apátridas."
Vencido pelo cancro
Na última eleição presidencial, em outubro de 2012, Chávez foi reeleito com 54,42 por cento dos votos, mas não chegou a tomar posse, por estar ausente em Cuba em tratamentos a um cancro na zona pélvica.A doença foi-lhe diagnosticada em julho de 2011. No seu estilo característico, Chávez celebrou o êxito das duas primeiras operações com alegria e espalhafato, afirmando-se em maio de 2012 "livre de cancro." Teve forças para disputar e vencer de novo as eleições presidenciais mas em dezembro, contudo, foi forçado a regressar a Cuba para novas cirurgias.
Seguiu-se um debate interno sobre a capacidade de Chávez para assumir o Governo da Venezuela, que culminou no adiamento da tomada de posse.
Durante semanas nada se soube do seu estado de saúde, apesar da insistência da Oposição venezuelana. Algumas fotografias suas numa cama de hospital em Cuba, divulgadas a 14 de fevereiro, não acalmaram os rumores sobre a gravidade da doença.
Em fevereiro, Chávez anunciou no twitter que estava de regresso à Venezuela, sem que esse momento tenha ficado registado. Foram depois publicadas fotografias de Chávez com as duas filhas, tendo-se falado de que estava a recuperar.
"El comandante" acabou por falecer a meio da tarde do dia 5 de março de 2013, após complicações respiratórias.
De acordo com a Constituição, vão ser marcadas eleições num prazo de 30 dias, já que Chávez nunca chegou a tomar posse. Até lá, o vice-presidente Nicolas Maduro promete assegurar interinamente a Chefia do Estado e do Governo.