Mundo
El Niño com impactos humanitários extremos em 2016
O fenómeno climático contribuiu para que 2015 seja considerado o ano mais quente de sempre. Mas os efeitos adversos vão continuar a fazer-se sentir ainda no próximo ano, estimam várias organizações de apoio humanitário. Os especialistas consideram que o impacto do El Niño pode piorar situações de fome e doença em algumas zonas do globo. A NASA vem agora dizer que o fenómeno deste ano poderá trazer consequências tão graves como as que foram registadas em 1998.
Dos dois lados do Atlântico são esperados efeitos diferentes de um fenómeno sempre imprevisível que causa distúrbios aos padrões naturais do clima em todo o mundo. Em determinadas áreas são esperadas secas extremas. Noutras, várias inundações como as que se registaram nos últimos dias no hemisfério sul.
NASA deixa o alerta
Entretanto, a NASA estima que este El Niño poderá ser semlhante ao que foi registado no ano de 1998. Após a análise das mais recentes imagens do Oceano Pacífico recolhidas por satélites, a agência espacial norte-americana refere que o estado atual dos mares não oferece para já sinais de alarme, mas que existem "semelhanças impressionantes" com as imagens recolhidas em dezembro de 1997.
O El Niño é um fenómeno recorrente que pode acontecer em intervalos de dois a sete anos. Nos registos até agora obtidos, pode durar até um ano. Resulta de um sobreaquecimento das águas perto da costa do Perú e na redução de ventos alísios no Oceano Pacífico, ao longo da linha do Equador.
O El Niño de 1998 foi o mais forte desde que há registo, ou seja, desde 1950. O fenómeno é estudado por cientistas e leigos desde o século XVII, mas só na década de 90 do século passado começou a ser referido com maior frequência e atenção.
Estima-se que o fenómeno ocorrido durante o Inverno de 1997 tenha causado a morte a mais de 2100 pessoas e um prejuízo de 33 mil milhões de dólares americanos devido à destruição de propriedades.
As inundações registadas após chuvas fortes em quatro países da América do Sul, incluindo o Brasil, fizeram pelo menos seis mortos e obrigaram à evacuação de 160 mil pessoas, a grande maioria no Paraguai (só neste país, onde foi declarado o estado de emergência, cerca de 130 mil pessoas foram alojadas em abrigos até ao passado sábado). No Brasil, o estado do Rio Grande do Sul foi o mais afetado.
Estes são os primeiros sinais daquele que deverá ser o El Niño com maior impacto desde que há registos do fenómeno. Em África, por exemplo, espera-se a escassez de alimentos já a partir de fevereiro. Nas Caraíbas, América Central e do Sul, espera-se, pelo contrário, a ocorrência de chuvas fortes como as que afetaram a região na última semana.
Adam Scaife, cientista especializado em meteorologia, atribui alguns dos eventos extremos da última semana à ocorrência do El Niño, nomeadamente as cheias no Reino Unido, as temperaturas altas registadas na costa Este dos Estados Unidos, os rios inundados no estado do Missouri e ainda os incêndios florestais na Austrália registados na semana passada.
Segundo o relatório divulgado em novembro pela Organização Mundial do Clima, o El Niño iniciado este ano foi um dos elementos que mais contribuiu para que 2015 seja considerado um dos anos mais quentes de sempre, em conjunto com o aquecimento global induzido pela ação humana.
Um estudo divulgado pela revista científica Nature, em janeiro de 2014, apontava para o efeito de estufa como uma das principais causas para a maior frequência de fenómenos extremos causados pelo El Niño. Os investigadores estimavam então que o número de ocorrências poderia mesmo duplicar.
A crise humanitária de 2016?
As organizações de apoio humanitário temem que este El Niño traga consequências drásticas para várias populações e estimam que pelo menos 31 milhões de pessoas poderão ver a sua alimentação diária em risco devido à seca extrema. A Etiópia deverá ser o país mais afetado.
Nick Klingaman, especialista no fenómeno, refere em declarações à BBC que este El Niño poderá ser o mais forte desde que há registo. Uma opinião que é partilhada pela Organização Mundial do Clima que estima uma subida de temperatura na superfície do Oceano Pacífico, com mais 2ºC que o habitual.
A Oxfam, uma confederação de várias organizações de combate à pobreza, chama à atenção para as consequências drásticas que poderão chegar com este El Niño, sobretudo no corno de África.
"Os efeitos de um super El Niño deverão colocar o sistema internacional de ajuda humanitária sob pressão sem precedentes em 2016, sistemas que já se encontram em esforço devido aos conflitos na Síria, Sudão do Sul, Iémen, e outros locais", lê-se num comunicado publicado esta quarta-feira no site da organização.
A organização contra a pobreza acrescenta que a alteração no sistema climático "poderá afetar dezenas de milhões de pessoas em situação de fome, escassez de água e doenças".
Jane Cocking, uma das responsáveis pelos planos de ajuda humanitária, avisa que já há povoações a sofrerem diretamente os efeitos desta alteração do clima: "Milhões de pessoas em países como a Etiópia, Haiti e Papua Nova Guiné já estão a sentir os efeitos das secas e fracasso das colheitas. Precisamos de ajuda urgente nessas áreas de modo a evitar a emergência de novas crises humanitárias no sul de África e América Latina", avisa.
Mas quem estuda os impactos do El Niño refere que os efeitos não serão apenas sentidos nos países em desenvolvimento. No mundo desenvolvido os efeitos vão refletir-se sobretudo na subida do preço dos alimentos, com os especialistas a recordarem eventos passados em que o fenómeno climático levou à subida de cinco a dez por cento de bens alimentares como o café, arroz, açúcar e cacau.
NASA deixa o alerta
Entretanto, a NASA estima que este El Niño poderá ser semlhante ao que foi registado no ano de 1998. Após a análise das mais recentes imagens do Oceano Pacífico recolhidas por satélites, a agência espacial norte-americana refere que o estado atual dos mares não oferece para já sinais de alarme, mas que existem "semelhanças impressionantes" com as imagens recolhidas em dezembro de 1997.
O El Niño é um fenómeno recorrente que pode acontecer em intervalos de dois a sete anos. Nos registos até agora obtidos, pode durar até um ano. Resulta de um sobreaquecimento das águas perto da costa do Perú e na redução de ventos alísios no Oceano Pacífico, ao longo da linha do Equador.
O El Niño de 1998 foi o mais forte desde que há registo, ou seja, desde 1950. O fenómeno é estudado por cientistas e leigos desde o século XVII, mas só na década de 90 do século passado começou a ser referido com maior frequência e atenção.
Estima-se que o fenómeno ocorrido durante o Inverno de 1997 tenha causado a morte a mais de 2100 pessoas e um prejuízo de 33 mil milhões de dólares americanos devido à destruição de propriedades.
As inundações registadas após chuvas fortes em quatro países da América do Sul, incluindo o Brasil, fizeram pelo menos seis mortos e obrigaram à evacuação de 160 mil pessoas, a grande maioria no Paraguai (só neste país, onde foi declarado o estado de emergência, cerca de 130 mil pessoas foram alojadas em abrigos até ao passado sábado). No Brasil, o estado do Rio Grande do Sul foi o mais afetado.
Estes são os primeiros sinais daquele que deverá ser o El Niño com maior impacto desde que há registos do fenómeno. Em África, por exemplo, espera-se a escassez de alimentos já a partir de fevereiro. Nas Caraíbas, América Central e do Sul, espera-se, pelo contrário, a ocorrência de chuvas fortes como as que afetaram a região na última semana.
Adam Scaife, cientista especializado em meteorologia, atribui alguns dos eventos extremos da última semana à ocorrência do El Niño, nomeadamente as cheias no Reino Unido, as temperaturas altas registadas na costa Este dos Estados Unidos, os rios inundados no estado do Missouri e ainda os incêndios florestais na Austrália registados na semana passada.
Segundo o relatório divulgado em novembro pela Organização Mundial do Clima, o El Niño iniciado este ano foi um dos elementos que mais contribuiu para que 2015 seja considerado um dos anos mais quentes de sempre, em conjunto com o aquecimento global induzido pela ação humana.
Um estudo divulgado pela revista científica Nature, em janeiro de 2014, apontava para o efeito de estufa como uma das principais causas para a maior frequência de fenómenos extremos causados pelo El Niño. Os investigadores estimavam então que o número de ocorrências poderia mesmo duplicar.
A crise humanitária de 2016?
As organizações de apoio humanitário temem que este El Niño traga consequências drásticas para várias populações e estimam que pelo menos 31 milhões de pessoas poderão ver a sua alimentação diária em risco devido à seca extrema. A Etiópia deverá ser o país mais afetado.
Nick Klingaman, especialista no fenómeno, refere em declarações à BBC que este El Niño poderá ser o mais forte desde que há registo. Uma opinião que é partilhada pela Organização Mundial do Clima que estima uma subida de temperatura na superfície do Oceano Pacífico, com mais 2ºC que o habitual.
A Oxfam, uma confederação de várias organizações de combate à pobreza, chama à atenção para as consequências drásticas que poderão chegar com este El Niño, sobretudo no corno de África.
"Os efeitos de um super El Niño deverão colocar o sistema internacional de ajuda humanitária sob pressão sem precedentes em 2016, sistemas que já se encontram em esforço devido aos conflitos na Síria, Sudão do Sul, Iémen, e outros locais", lê-se num comunicado publicado esta quarta-feira no site da organização.
A organização contra a pobreza acrescenta que a alteração no sistema climático "poderá afetar dezenas de milhões de pessoas em situação de fome, escassez de água e doenças".
Jane Cocking, uma das responsáveis pelos planos de ajuda humanitária, avisa que já há povoações a sofrerem diretamente os efeitos desta alteração do clima: "Milhões de pessoas em países como a Etiópia, Haiti e Papua Nova Guiné já estão a sentir os efeitos das secas e fracasso das colheitas. Precisamos de ajuda urgente nessas áreas de modo a evitar a emergência de novas crises humanitárias no sul de África e América Latina", avisa.
Mas quem estuda os impactos do El Niño refere que os efeitos não serão apenas sentidos nos países em desenvolvimento. No mundo desenvolvido os efeitos vão refletir-se sobretudo na subida do preço dos alimentos, com os especialistas a recordarem eventos passados em que o fenómeno climático levou à subida de cinco a dez por cento de bens alimentares como o café, arroz, açúcar e cacau.