El Salvador pede prisão perpétua para 564 alegados líderes de grupo criminoso

El Salvador pede prisão perpétua para 564 alegados líderes de grupo criminoso

O Ministério Público (MP) de El Salvador pediu a um tribunal especializado em crime organizado uma pena de prisão perpétua para 564 alegados cabecilhas do grupo criminoso Barrio 18 por mais de 14.400 crimes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: El Salvador's Presidency Press Office via AFP

De acordo com um comunicado divulgado pelo poder judicial na quinta-feira, o caso irá tramitar sob a modalidade de processos em massa e foi submetido a um tribunal de San Salvador, abrangendo crimes alegadamente cometidos entre 2012 e 2026.

O parlamento, controlado pelo partido no poder aprovou reformas penais, a pedido do Governo do Presidente Nayib Bukele, que permitem o julgamento em massa de detidos no contexto de um regime de exceção, em vigor desde março de 2022.

Os ativistas criticam estes julgamentos coletivos, argumentando que impedem o acesso a uma defesa justa.

Entre os crimes imputados aos arguidos estão "rebelião, participação em estrutura criminosa, homicídio qualificado, extorsão qualificada, tráfico ilícito e atos de terrorismo".

O poder judicial considerou que os acusados "são identificados como pilares históricos, nacionais e de `tribo` do gangue Barrio 18; geriam as finanças, ordenavam homicídios à escala nacional e controlavam a estrutura criminosa".

O parlamento aprovou, em março, um pacote de reformas penais, incluindo uma que possibilita a prisão perpétua para menores, após a ratificação de uma emenda à Constituição que permitiu esta punição legal para "violadores, homicidas e terroristas".

O MP detalhou que, do total de processados, "474 estão presentes e 90 ausentes".

Em julho, um tribunal contra o crime organizado de El Salvador concluiu o julgamento em massa de mais de 400 alegados líderes do gangue Mara Salvatrucha (MS13). Foram processados numa audiência única inédita, abrangendo "47 mil crimes", e a sentença ainda não foi anunciada.

Segundo declarou recentemente o procurador-geral, Rodolfo Delgado, mais de 10.500 membros de grupos criminosos, na sua maioria membros do MS13 e do Barrio 18, foram condenados a diferentes penas de prisão no contexto do regime de exceção, que suspende as garantias constitucionais e resultou em mais de 96 mil detenções.

 

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