Eleição de Vitorino é sinal contra "movimentos populistas e xenófobos", considera Santos Silva
Porto, 29 jun (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou hoje no Porto que a eleição do português António Vitorino para diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM) consititui uma "vitória sobre os movimentos populistas e xenófobos".
António Vitorino, 61 anos, ex-ministro (1995-1997) e ex-comissário europeu (1999-2004), foi hoje eleito diretor-geral da OIM, cargo ocupado pelos Estados Unidos desde a criação da organização, em 1951, com uma única exceção, em 1960.o
Hoje, no Porto, Santos Silva destacou a "eleição de uma personalidade que é inteiramente clara neste aspeto, de valorizar as migrações como um dado da história".
"Foi uma vitória importante por várias razões, em primeiro lugar foi uma vitória do candidato António Vitorino, que tem o currículo e a experiência política e profissional", disse o ministro, enaltecendo os "princípios que eram claros" e uma "proposta programática que foi inteiramente clara"
"É precisa uma política de cooperação, humanista, guiada pela preocupação de tirar partido das coisas positivas que são muitas que as migrações têm, de organizar as migrações, numa base regulada e legal, combatendo assim o tráfico de seres humanos", disse Santos Silva, que elogiou também o trabalho português.
"Foi também uma vitória da diplomacia portuguesa, porque nos empenhamos nesta candidatura e tivemos uma boa vitória", disse de um triunfo que é também "mais uma prova do reconhecimento internacional de que Portugal goza nestes dias" e também "uma ajuda" para a posição do país no contexto europeu.
Sobre o compromisso de António Vitorino uma vez eleito, o governante declarou que este "será o diretor geral da OIM e o representante máximo dos mais de 160 países", precisando que o interesse de Portugal é que "defenda os interesses de todos segundo o seu programa, numa abordagem integrada e humanista à questão das migrações.
Concordando que a "política de acolhimento de Portugal também pesou nesta eleição", bem como "a imagem e reputação", citou a "clareza da posição portuguesa no domínio das migrações" como forte contributo.