Eleições agradam a Otava e estreiam voto de cara tapada por véu

Os resultados das eleições de segunda-feira no Quebeque favorecem a estratégia política do primeiro-ministro canadiano e escrevem a História por terem estreado o voto de véu de mulheres canadiano-islâmicas.

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O primeiro-ministro do Canadá e líder do Partido Conservador, Stephen Harper, obteve resultados de relevo nas eleições federais extraordinárias realizadas na segunda-feira em três distritos eleitorais do Quebeque: Outremont, Roberval-Lac-Saint-Jean e Saint-Hyacinthe-Bagot.

Enquanto decorria ainda o escrutínio eram já seguras mudanças de partido nos assentos parlamentares por preencher em Otava, sendo certo que o partido liderado por Harper elegia um deputado na região rural do Lac-Saint-Jean, uma verdadeira "lança" numa zona até agora de forte pendor separatista face ao resto do Canadá.

Mas Harper tinha mais razões satisfação, dado que também o seu candidato em Saint-Hyacinthe-Bagot obtinha o segundo lugar.

São indicadores importantes para Stephen Harper, tanto mais que, no entender de vários analistas, a convocação destas eleições no Quebeque foi uma jogada estratégica do primeiro-ministro para testar o eleitorado, conhecidas as suas intenções de provocar novas legislativas a fim de ganhar uma maioria parlamentar.

No círculo de Outremont, em pleno Montreal, o Novo Partido Democrático (NPD) furou a tradição liberal e ganhou.

Esta vitória tem um triplo efeito: O NPD ganha um deputado - Thomas Mulcair (curiosamente, um antigo ministro liberal), destrona os liberais e, ao mesmo tempo, desfere um duro golpe à liderança do actual chefe do Partido Liberal do Canadá, Stephane Dion.

Outro partido que se ressente neste acto eleitoral é o Bloco do Quebeque que perde o deputado por Roberval-Lac-Saint-Jean, embora mantenha Saint-Hyacinthe-Bagot.

Estas eleições ficam também na história canadiana por terem permitido, pela primeira vez, o voto de cara tapada a mulheres de origem islâmica que se apresentarem de véu ou burqa.

Tratou-se de uma decisão do órgão regulador eleitoral federal com o objectivo de conceder o "direito de voto aos eleitores que tiverem a cara coberta por razões religiosas".

A decisão originou uma polémica política e social no Canadá, que incluiu a forte condenação das populações dos três círculos a votos na segunda-feira.

Porém, não existiram relatos de distúrbios nas mesas de voto.

Apenas média locais informaram que, em atitude de protesto, algumas mulheres e um homem não islâmicos foram votar de véu nos distritos de Roberval-Lac-Saint-Jean e de Saint-Hyacinthe-Bagot, ambos fora da grande região urbana de Montreal.

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