Eleições Brasil. Escolha do eleitor será mais pragmática do que ideológica
O especialista em campanhas políticas brasileiras Marcelo Vitorino disse à Lusa que a escolha do eleitor para as eleições presidenciais de 2 de outubro será mais pragmática e menos ideológica, ao contrário do que se verificou em 2018.
"A escolha do eleitor para Presidente vai ser muito mais pragmatista económica do que no ponto de vista ideológico", afirmou, em entrevista à Lusa.
A pouco mais de duas semanas das eleições, a preocupação da população brasileira é com a economia, inflação, desemprego e alimentação e com a saúde, detalhou Marcelo Vitorino, que já coordenou dezenas de campanhas políticas por todo o Brasil, para prefeitos, governadores, deputados, senadores e para a presidência com José Serra em 2010 e Geraldo Alckmin em 2018.
Uma contracorrente clara em relação a 2018, quando o agora Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, saiu vencedor, num momento político em que a tónica estava centrada no "movimento de antipolítica".
"As pessoas queriam qualquer coisa, menos o que elas conheciam", disse, referindo-se às eleições de há quatro anos.
Um quadro completamente antagónico verifica-se agora nestas eleições, já que, segundo especialista em campanhas políticas, o eleitor vai ser mais conservador no voto na medida em que "está com medo de votar errado".
Marcelo Vitorino identifica ainda duas correntes antagónicas nestas eleições, a dos conservadores e religiosos, que tende em votar em Jair Bolsonaro, e a do assistencialismo que se aproxima de Lula da Silva.
Por fim, numa alfinetada, Marcelo Vitorino considera que Ciro Gomes, terceiro classificado nas sondagens com menos de dois dígitos, "fala praticamente para ele mesmo".
Numa análise à campanha, o especialista em marketing político e eleitoral, com vários livros publicados sobre a matéria, antecipa que "vai ficar mais ideológico e o Lula mais pragmático".
"A três semanas da eleição você tem de mostrar claramente como é que você vai resolver o problema dele [do eleitor]", concluiu.