Eleições primárias nos EUA para intercalares de novembro deixam titulares em apuros
Os candidatos à reeleição nas intercalares norte-americanas de novembro falharam, na maioria, a nomeação à primeira volta nas primárias dos partidos republicano e democrata, segundo os resultados disponíveis.
No Texas, onde nenhum dos congressistas que procuram a reeleição conseguiu ganhar à primeira volta, passando a uma segunda, um perdeu mesmo nas primárias a possibilidade de disputar o seu lugar na Câmara dos Representantes.
O derrotado foi o republicano Dan Crenshaw, ex-militar com um perfil independente, atacado pela ala mais à direita do partido e não apoiado pelo Presidente Donald Trump, que perdeu para Steve Toth, legislador estadual apoiado pelo influente senador Ted Cruz.
No mesmo estado, a congressista republicana Julie Johnson vai disputar uma segunda volta com Colin Allred, que ocupou anteriormente o mesmo lugar na Câmara dos Representantes.
Em três outras circunscrições, haverá segunda volta nas primárias republicanas para o Congresso.
Com os resultados em apuramento, Manuel Barraza, Sholdon Daniels e Tina Cohen estão confirmados na segunda volta das primárias e aguardam para saber quem será o seu adversário.
Daniels ou o seu adversário republicano na segunda volta irão disputar o lugar com o democrata Frederick Douglas Haynes III, que ganhou à primeira.
Na corrida para o Senado pelo Texas, os republicanos John Cornyn e Ken Paxton também vão disputar uma segunda volta, enquanto o democrata James Talarico foi eleito à primeira.
Como esperado, o governador republicano Greg Abbott ganhou a nomeação à primeira volta, tal como a sua rival democrata, Gina Hinojosa.
Noutras primárias republicanas no Texas para cargos eleitos, como o de procurador-geral, os atuais titulares também foram forçados a uma segunda volta.
O congressista democrata Al Green, um liberal assumido que já foi expulso duas vezes dos discursos do Estado da União de Trump por protestos, vai disputar o lugar de representante pelo Texas numa segunda volta a 26 de maio com Christian Menefee, recém-eleito para o Congresso para o resto do mandato do deputado Sylvester Turner, que faleceu no ano passado.
As primárias entre os democratas representam este ano uma disputa geracional, com os candidatos mais jovens a defenderem um rejuvenescimento partidário.
Na Carolina do Norte, a congressista Valerie Foushee enfrenta dificuldades na reeleição perante Nida Allam; a disputa testa a força da ala tradicional dos democratas, que apoia Foushee, e da mais à esquerda (progressista) com o senador Bernie Sanders - independente, mas influente no partido - a fazer campanha por Allam.
Quem vencer a corrida democrata deverá ser o grande favorito em novembro contra candidatos republicanos e libertários: na circunscrição eleitoral em disputa, Kamala Harris derrotou Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024 por uma margem de 2 para 1.
Os norte-americanos vão votar a 03 de novembro a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de um terço do Senado, além de elegerem 36 governadores e outras autoridades locais.
Para Trump, estas serão eleições cruciais para a segunda metade do seu segundo e último mandato, pondo em jogo a estreita maioria republicana no Congresso.
O Presidente, que já alertou para a possibilidade de ser destituído e caso de maioria democrata no Congresso, iniciou este mês ações de campanha semanais e planeia realizar uma Convenção Nacional Republicana antes das eleições intercalares, semelhante à organizada para a nomeação presidencial.
Desde o ano passado, vem pressionando vários líderes republicanos em legislaturas estaduais em que são maioritários para aprovarem novas circunscrições eleitorais que permitam eleger mais candidatos para o Congresso, processo que teve início no Texas.
As movimentações dos republicanos levaram os democratas a fazerem o mesmo, nomeadamente na Califórnia.