Eleições São Tomé - Uê-Kedadji nega fragilidade da coligação

O líder da Uê-Kedadji, Neves e Silva, negou a fragilidade da coligação para as legislativas de domingo em São Tomé e Príncipe após a ruptura com a Acção Democrática Independente (ADI), uma das forças favoritas no escrutínio.

Ricardo Neto, Agência LUSA /

Em declarações à Agência Lusa, o líder da Uê-Kedadji (Luz do Dia, em crioulo) manifestou a confiança de que a coligação, que integra cinco pequenos partidos, está em condições de manter a representação parlamentar.

Nas últimas eleições, em Março de 2002, a ADI liderou a coligação Uê-Kedadji, que obteve oito dos 55 lugares do parlamento.

Por outro lado, Neves e Silva reconheceu a falta de meios na campanha eleitoral e criticou o Governo de Maria do Carmo Silveira por ter inviabilizado a aplicação de lei de financiamento aos partidos políticos por restrições orçamentais.

"Esta atitude do Governo viola os princípios da democracia, porque cria desigualdade entre candidaturas, uma vez que há partidos sustentados com fundos da máfia para prática de banho" (oferta de dinheiro em troca do voto).

Neste sentido, Neves e Silva exortou as autoridades a adoptarem uma lei para controlar os gastos e a origem dos financiamentos das candidaturas.

Em caso de vitória, ou caso integre o poder em coligação, Neves e Silva pretende dar prioridade a uma governação "séria e transparente" para o desenvolvimento sócio-económico do país.

O líder da coligação afirmou ainda que a Uê-Kedadji defende a aposta no relançamento da agricultura, pesca, turismo como base para crescimento económico, além da concessão de créditos para o investimento privado e a criação de condições para a atracção do investimento estrangeiro.

Neves e Silva destacou também a importância da "transparência na gestão dos recursos do petróleo" e de que o investimento dessas verbas "deve ser visível" no domínio da saúde, educação, infraestruturas, água e energia.

O líder da Uê-Kedadji elegeu ainda como prioridades a reestruturação no sector da defesa e segurança e uma política de combate à pobreza, a par da "mudança de mentalidade dos políticos", numa perspectiva de se consolidar a estabilidade política no país.

"Os órgãos de soberania devem entender-se a bem da democracia e do interesse do povo são-tomense", sublinhou Neves e Silva, criticando as sucessivas demissões de governos num país com cerca de 180 mil habitantes, cuja maioria vive abaixo do limiar da pobreza, com menos de um dólar por dia.

Liderada pelo Partido Democrático (CODO), de Neves e Silva, integram a coligação Uê-Kedadji mais quatro formações políticas: a União Nacional para Democracia e Progresso (UNDP), o Partido Popular do Progresso, (PPP), o Partido da Renovação Democrática (PRD) e o Partido Social Renovado, (PSR).


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