Eleito novo presidente da Assembleia nacional da República Centro-Africana
O deputado Laurent Ngon-Baba foi hoje eleito pelos seus pares como novo presidente do parlamento da República Centro-Africana (RCA), numa sessão daquele órgão em que um outro deputado disparou para o ar, segundo a agência noticiosa France-Presse.
Laurent Ngon-Baba, deputado de Baboua, oeste do país, e ex-ministro do Presidente François Bozizé, que dirigiu o país entre 2003 e 2012, foi eleito hoje presidente da Assembleia Nacional, após a polémica destituição do anterior líder.
"A maioria apresentou apenas um candidato e votou em bloco", referiu Steve Koba, presidente do grupo parlamentar Coração Unido, considerado próximo do Presidente da RCA, Faustin-Archange Touadéra, à agência noticiosa France-Presse.
Eleito com 112 votos e quatro nulos, Laurent Ngon-Baba afirmou que os deputados não têm "mais o direito de cometer erros".
"Vamos tomar medidas imediatas, especialmente no que diz respeito à gestão de recursos financeiros", sublinhou.
Uma das razões dadas pelos deputados para a destituição na sexta-feira do ex-presidente da Assembleia, Karim Meckassoua, foi a alegada negligência financeira.
O presidente da Assembleia nacional da RCA, Karim Meckassoua, foi destituído com os votos favoráveis de 98 dos 140 deputados do órgão.
Os 41 votos contra (e uma abstenção) não foram suficientes para evitar a destituição de Meckassoua do cargo que ocupava desde maio de 2016.
Depois da destituição do presidente do parlamento Karim Meckassoua, vários tiros foram disparados no bairro PK5, da capital, Bangui, palco frequente de violência e que alberga a maioria dos muçulmanos da cidade.
Em 23 de outubro, mais de 400 pessoas marcharam até à sede da Missão das Nações Unidas na RCA (Minusca, que conta com 13.000 capacetes azuis) para protestar contra o processo de destituição do presidente da Assembleia.
A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-balaka.
O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.
Portugal está presente no país desde o início de 2017, no quadro da Minusca.
No início de setembro, o major-general do Exército Marco Serronha assumiu o cargo de 2.º comandante da Minusca.
Aquela que já é a 4.ª Força Nacional Destacada Conjunta no país é composta por cerca de 160 militares e iniciou a missão em 05 de setembro.
Portugal também integra a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.
A EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, tem 45 militares portugueses, entre os 170 de 11 nacionalidades que a compõem.