Cabo Verde. Eleitores escolhem hoje novo Parlamento
Cerca de 416.300 eleitores cabo-verdianos são hoje chamados a eleger os 72 deputados da Assembleia Nacional, num escrutínio que determinará quem governará o país nos próximos cinco anos.
O Movimento para a Democracia (MpD), no poder desde 2016, procura um terceiro mandato consecutivo com Ulisses Correia e Silva como primeiro-ministro, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) quer regressar ao poder com Francisco Carvalho, autarca da capital, Praia, como candidato ao cargo.
MpD e PAICV têm-se alternado na liderança do país, sempre com maiorias absolutas na Assembleia Nacional, desde as primeiras eleições livres: o MpD venceu em 1991 e 1995, o PAICV em 2001, 2006 e 2011, e o MpD em 2016 e 2021.
Para as eleições de hoje, os dois partidos foram os únicos a apresentar listas em todos os 13 círculos eleitorais (10 nas ilhas e três junto da diáspora).
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), terceira força parlamentar, ambiciona quebrar as maiorias absolutas e concorre a 10 círculos (sem listas nas ilhas Brava, do Maio e da Boa Vista).
O Partido Popular (PP) e o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), sem representação parlamentar, concorrem, cada qual, em seis círculos.
Na sexta-feira, o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, apelou à participação nas eleições, considerando que "a abstenção fragiliza a democracia".
Nas legislativas de 2016, a abstenção foi de 34%, crescendo para 42% em 2021, durante um período de restrições devido à pandemia de covid-19.
As eleições de hoje vão decorrer em cerca de mil mesas de voto nas ilhas, onde estarão abertas entre as 08:00 e as 18:00 (10:00 e 20:00 em Lisboa), enquanto junto da diáspora haverá mais de 200 com o seu próprio horário - só em Portugal serão 84 mesas.
São chamados às urnas 344.284 inscritos no arquipélago e 72.051 no estrangeiro.
A ilha de Santiago, que inclui a capital, Praia, elege 33 dos 72 deputados e é a única onde há dois círculos eleitorais.
As restantes oito ilhas elegem outros 33 deputados e os três círculos no estrangeiro escolhem seis deputados.
A votação no arquipélago será acompanhada por cerca de 200 observadores internacionais.