Eleitores escolhem novo Presidente do Zimbábue entre eternos rivais
Redação, 31 jul (Lusa) -- Cerca de 6,4 milhões de eleitores zimbabueanos vão hoje às urnas para escolher o novo Presidente, entre dois principais rivais: o atual chefe de Estado, Robert Mugabe, e o primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai.
Robert Mugabe, que está no poder há 33 anos, volta a concorrer as eleições presidenciais de hoje pela União Nacional Africana do Zimbabwe - Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla em inglês) contra o seu eterno rival político Morgan Tsvangirai, líder do Movimento da Mudança Democrática (MDC, sigla em inglês) e atual primeiro-ministro.
O escrutínio no Zimbabué deve pôr fim ao frágil governo de coabitação, formado sob pressão internacional para evitar uma guerra civil, depois da violência que marcou as presidências de 2008, também disputadas entre os dois candidatos.
A primeira volta fora então ganha por Morgan Tsvangirai que, contudo, desistiu de se apresentar à segunda volta depois de vários dos seus apoiantes terem sido assassinados.
Mugabe, sem opositor, acabou por ser reconduzido como dirigente máximo do país, o que lhe valeu fortes críticas da comunidade internacional e o endurecimento das sanções políticas e económicas contra o seu regime.
O homem forte do Zimbabué viu-se então forçado a constituir um governo de unidade nacional, tendo Morgan Tsvangirai sido nomeado primeiro-ministro, no âmbito de um acordo pós eleitoral entre a ZANU-PF e o MDC.
A partilha de poder durou cerca de quatro anos, mas o Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai.
Num país marcado pela violência e repressão política há décadas, a oposição e a comunidade internacional exige um escrutínio livre e democrático, mas, segundo várias vozes nacionais e internacionais, já terão sido identificadas várias tentativas de fraude eleitoral.
Para a Amnistia Internacional também não há garantias de que o escrutínio de hoje esteja imune ao risco de repetição da onda de violência registada nas eleições de 2008.