Eliminar terrorismo é irrealista, é preciso combater causas

Especialistas em terrorismo participantes na Cimeira de Madrid consideram irrealista colocar como objectivo eliminar o terrorismo, propondo a análise e combate das causas, e acções concretas no plano social e na cooperação em meios de combate.

Agência LUSA /

Na apresentação das conclusões dos grupos de trabalho sobre as "causas subjacentes", "como enfrentar o terrorismo" e "as respostas democráticas", Ray Kendall, coordenador do último painel, destacou algumas propostas concretas.

É dever dos Estados prevenir o terrorismo, afirmou, e algumas medidas possíveis são a cooperação com os países que têm dificuldades em cumprir as normas internacionais sobre detenção de suspeitos e, no âmbito policial, a coordenação entre diferentes serviços e a cooperação com países menos preparados em "condições bem definidas".

Este grupo, em que participaram peritos em medidas policiais, propôs, no âmbito dos serviços secretos, a criação de um centro independente de investigação do financiamento de actividades terroristas, em que colaborem os sectores público e privado.

Também Phil Bobbit, coordenador dos trabalhos sobre as respostas democráticas ao terrorismo, avançou algumas propostas, como definir o terrorismo, embora reconheça a dificuldade por se tratar de um fenómeno multifacetado, e incluir medidas anti-terroristas nas legislações nacionais.

Este grupo propõe ainda a criação de uma rede global de cidadãos e o intercâmbio de experiências, que permitiria detectar diferentes percepções do fenómeno terrorista.

Foi neste contexto que citou e elogiou como "exemplar" a reacção dos espanhóis, propondo que esta seja reconhecida expressamente nas conclusões finais da Cimeira.

A coordenadora do tema "causas ou factores subjacentes", Luoise Richardson, referiu que os grupos de trabalho sobre esta questão são unânimes em considerar que não há uma causa mas vários factores de risco, tal como não existe um terrorismo único, senão múltiplas formas.

Entre os especialistas neste tema, há também o consenso de que o objectivo de eliminar o terrorismo é irrealista e o que pode e deve fazer-se é "conter os factores" que desencadeiam uma "cultura de ressentimento que alimenta as fileiras das organizações terroristas".

A mensagem positiva deste grupo de trabalho é que pode evitar- se a entrada e fomentar até a saída de grupos radicais, com o trabalho de prevenção nas escolas, prisões, lugares de culto e outros ambientes onde se fomenta o radicalismo.

Estas e outras respostas, como trabalhar junto dos elementos moderados e semear o desacordo entre os radicais, são possíveis em democracia, consideram, e esse trabalho é um dever dos Estados.

A conferencia de imprensa com os resultados destes grupos de trabalho foi encerrada pelo presidente do Clube de Madrid, Fernando Henrique Cardoso, que manifestou a esperança de esta conferência ser "o início de uma aliança baseada em redes que dêem o espírito essencial para combater o terrorismo através de meios democráticos".

Os trabalhos dos conferencistas, iniciados terça-feira, terminam quinta-feira e no dia seguinte os dirigentes do Clube de Madrid vão apressentar as conclusões e recomendações, reunidas na "Agenda de Madrid".

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