Em Angola, expedição tem provas da existência de palancas negras
A expedição científica que passou duas semanas na Reserva do Luando, na província angolana de Malange, não conseguiu fotografar nenhuma palanca negra gigante, mas ficou com a certeza que ainda há na região exemplares deste animal único no mundo.
"Foi uma desilusão porque esperávamos conseguir fotografar a palanca", afirmou Pedro Vaz Pinto, coordenador do Núcleo de Ambiente e Recursos Naturais do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, em declarações à Lusa.
No regresso a Luanda, depois de duas semanas a percorrer os trilhos da Reserva do Luando, Pedro Vaz Pinto salientou, no entanto, que o trabalho foi "positivo", até porque permitiu concluir que ainda há palancas negras gigantes na região.
"Estivemos várias vezes em cima de rastos de palancas com fezes e urina ainda quentes, com o rasto muito visível, mas os animais estão muito assustados", revelou o coordenador da expedição.
A palanca negra gigante sempre foi conhecida por ser um animal muito sensível à presença humana, afirmando os especialistas que é possível atravessar durante semanas seguidas o território de um macho sem nunca o encontrar.
Segundo Pedro Vaz Pinto, os rastos encontrados pertenciam a "grupos pequenos, de dois a cinco animais", considerando que se trata de um dado "aceitável para esta altura do ano, em que não é previsível a existência de grandes grupos de palancas".
"É na altura das chuvas (cuja época está agora a começar) que os animais se juntam e formam manadas maiores, com 40 a 50 animais", frisou.
Questionado sobre uma possível confusão entre as pegadas da palanca negra gigante e da palanca vermelha, Vaz Pinto admitiu que elas são muito parecidas, mas frisou que existem elementos que as distinguem.
"A palanca negra gigante tem uma típica pegada em forma de coração, um pouco estreita, enquanto a pegada da palanca vermelha é um pouco maior e mais larga", disse.
Pedro Vaz Pinto salientou que, durante os 12 dias que a expedição esteve na Reserva do Luando, foram vistos "muitos animais", mas nenhuma palanca negra gigante.
"Não conseguimos ver nenhuma, mas elas estão lá", assegurou, acrescentando que, além das pegadas e dos vestígios observados, as informações recolhidas junto das populações locais também apontam nesse sentido.
"Os sobas (autoridades tradicionais) tinham informações de áreas onde as palancas tinham sido vistas recentemente", revelou Vaz Pinto, que salientou o facto da palanca negra gigante ser uma espécie especialmente acarinhada pelas populações daquela região do centro de Angola.
"O povo Songo considera a palanca sagrada, não a persegue e não deixa que a matem", afirmou.
A convicção de que as palancas negras gigantes ainda se encontram no Luando, apesar de não ter sido visto nenhum exemplar nas duas expedições já realizadas, faz com que os investigadores estejam a preparar outra iniciativa para conseguir uma prova da sua existência.
"Nas próximas semanas vamos instalar câmaras fotográficas, que serão colocadas em zonas onde se pensa que os animais passem nas suas deslocações", revelou Pedro Vaz Pinto, acrescentando estar "convencido que vai ser possível fotografar uma palanca negra gigante".
A última fotografia de uma palanca negra gigante foi tirada em 1982 e, nas últimas duas décadas, ninguém conseguiu provar que viu este animal único no mundo.
As palancas negras gigantes são grandes antílopes, com chifres longos e encurvados para trás, especialmente acarinhados pela população angolana, não só por se tratar de uma espécie que apenas existe no país, mas também porque a palanca negra é um dos símbolos nacionais.
Não é, por isso, de estranhar que os jogadores da selecção nacional de futebol sejam conhecidos como os +palancas negras+, nem que este animal seja o símbolo que viaja pelo mundo pintado nos aviões da TAAG (Transportes Aéreos de Angola).