Em Espanha centenas de polícias mobilizados para "macro-botellón"
Centenas de polícias estão mobilizados em 20 cidades espanholas onde dezenas de milhares de jovens se devem reunir hoje à noite num "macro-botellón", a tradição de beber na rua que hoje assume cariz de protesto.
Todos os fins-de-semana, milhares de jovens em toda a Espanha evitam as restrições ao consumo do álcool e o preço mais elevado dos bares, comprando bebidas em supermercados e lojas de conveniência e reunindo-se depois em parques ou praças públicas para o consumir.
A maioria das cidades espanholas tem leis, como a proibição de venda de álcool depois das 22:00 em lojas de conveniência e supermercados, que impedem o "botellón", contudo a tradição mantém-se e hoje vai assumir carácter de protesto contra a acção policial.
Dezenas de jovens são, semanalmente, detidos e multados ou condenados a "aulas" sobre o consumo de álcool e outras drogas.
Por isso, através de mensagens por telemóvel e correio electrónico, foram convocados grandes encontros em 20 cidades espanholas, esperando-se a participação de dezenas de milhares de jovens, incluindo menores, descontentes com a acção policial.
Conhecidos como os encontros dos "sacos de plástico" - porque os jovens compram as bebidas nos supermercados -, as reuniões de hoje foram já amplamente criticadas por responsáveis de saúde pública e associações de pais.
Inquéritos realizados em Espanha referem que cerca de 47 por cento dos jovens entre os 14 e os 18 anos consome álcool quase diariamente, com 12,3 por cento considerados "consumidores de risco" por beberem mais de 50 centímetros cúbicos por dia.
A maioria começa a consumir álcool aos 13,7 anos.
De acordo com um relatório da Agência Anti-Droga da Comunidade de Madrid, os jovens entre os 14 e os 18 anos embebedam-se cerca de três vezes por mês.
A maioria dos jovens consome cerveja e "calimocho", uma mistura de vinho com coca-cola, apesar de ser igualmente significativo o consumo de misturas de whisky, gin ou rum com refrescos.
As misturas feitas nas ruas são significativamente mais baratas do que nos bares: três litros de cerveja que nos bares podem custar entre três e cinco euros ficam a 24 cêntimos nos "botellón".
Referindo-se à convocatória dos encontros de hoje, o ministro do Interior espanhol, José António Alonso, pediu hoje um "esforço coordenado" entre todas as instituições, relembrando que a polícia "fará cumprir a lei onde ela for violada".
"Creio que todos têm de colaborar, as câmaras, as comunidades autónomas e a administração do Estado, tanto em questões sociais de apoio aos jovens como aos pais", referiu.
"Estas são actividades de alto risco", sublinhou.