Em Espanha, edifícios públicos alvo de ataques em protesto contra a morte de etarras
Um tribunal, uma câmara municipal, um sindicato e a casa de um autarca socialista foram hoje alvo de ataques no país Basco, em protesto contra a morte de dois membros da ETA esta semana na cadeia.
Em Bilbau, Vitoria e Portugalete foram realizadas manifestações de protesto que acabaram por ser dispersadas pela polícia, que deteve pelo menos dois manifestantes.
Em Portugalete, a polícia terá recorrido à força para dispersar uma manifestação com cerca de mil pessoas.
A manifestação, que pretendia homenagear Igor Ângulo (que se suicidou na cadeia) e Roberto Sáiz (que foi encontrado morto), tinha sido proibida pelas autoridades do País Basco, que ordenaram depois a intervenção policial.
Cerca de um milhar de pessoas tentaram, sem êxito celebrar um acto de homenagem a Ângulo em Santurce, de onde era natural o etarra, seguindo depois para o cemitério de Portugalete.
Dirigentes do ilegalizado Batasuna, entre eles Arnaldo Otegi, Juan María Olano, Joseba Permach e Pernando Barrena, tentaram negociar com a polícia, também sem sucesso, para que a homenagem pudesse decorrer.
O grupo optou por isso por seguir para o cemitério onde se esperava o corpo do etarra, tendo estado sempre rodeados de agentes policiais.
Em declarações aos jornalistas no local, Joseba Permach criticou a acção policial, considerando ser "muito grave" que, perante "uma concentração pacífica que pretendia dar o último adeus a duas pessoas, o governo responda com polícia armada".
Em Errenteria, perto San-Sebastien, duas pessoas não identificadas lançaram garrafas com tinta vermelha contra a casa do presidente da câmara socialista daquela cidade, segundo o Ministério do Interior basco.
A mesma fonte indicou que várias pessoas também lançaram pedras contra o edifício da Câmara Municipal de Zumarraga.
Outras provocaram um incêndio no tribunal de Markina, a 50 quilómetros de Bilbau, e um cocktail molotov foi lançado contra o edifício de uma empresa de segurança situado numa zona industrial de Barakaldo.
Em Navarra, região limítrofe ao país Basco, nas paredes do edifício de um sindicato, próximo dos socialistas espanhóis, foram escritas as palavras "assassinos".