Em Espanha, proposta de Pacto de Estado para a política externa
O novo presidente do Partido Popular (PP) espanhol, Mariano Rajoy, propôs hoje ao primeiro-ministro, José Luís Rodríguez Zapatero, um pacto de Estado em política externa que permita à Espanha apresentar-se como um "país fiável" no cenário internacional.
A proposta de Rajoy foi feita durante o discurso de encerramento do XV Congresso Nacional do PP, em que foi eleito presidente do partido, e no qual classificou a política internacional prosseguida pelo governo socialista como "errática".
A governação socialista foi também duramente atacada, tendo Rajoy acusado Zapatero de não possuir qualquer projecto a não ser a "demolição e aniquilamento" do alcançado durante os anos em que o PP esteve no governo.
Segundo o novo presidente do PP, os seis meses de governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) "bastaram para que ninguém saiba onde estamos, nem qual é o nosso rumo".
Se durante os dias anteriores do congresso se registaram alguns apelos isolados à autocrítica dentro do PP, hoje, o último dia do conclave, foi aquele em que o partido reivindicou o seu passado recente e apresentou a sua gestão como a melhor garantia para reclamar novamente a confiança dos espanhóis.
Durante o discurso de encerramento, o líder do PP defendeu uma posição de Espanha "séria, sólida, consensual e estável" e, para a concretizar, convidou Rodríguez Zapatero a alcançar um acordo de longa duração, semelhante ao Pacto Antiterrorista, que não seja afectado por mudanças no governo.
"Se Rodríguez Zapatero quiser, não será impossível que a Espanha conte com um pacto que fixe os componentes básicos da sua política externa durante muitos anos, de modo a que todo o mundo saiba com o que pode contar em relação a nós. De modo a que a Espanha seja fiável", frisou Rajoy.
Mariano Rajoy defendeu ainda uma política centrada em objectivos prioritários que são a União Europeia, a América Latina, os países transatlânticos e o Magreb.
Em relação aos laços com os Estados Unidos, Rajoy classificou- os de "tão indiscutíveis, que ninguém, no seu perfeito juízo, os prejudicará" por razões estratégicas ou económicas.
A Europa foi definida pelo presidente do PP como o "referente principal" e como um desafio que impõe dois objectivos: contribuir para o seu desenvolvimento e assegurar a defesa dos interesses de Espanha.
Para Rajoy, "quanto melhor" for esta defesa, "mais fácil será que os espanhóis votem sim no referendo" à Constituição Europeia, que considerou conter "muito mais coisas boas do que más".
Durante o XV congresso, o antigo presidente do PP e ex-chefe do governo espanhol José Maria Aznar foi nomeado presidente honorífico do partido.
O cargo foi criado pelos novos estatutos aprovados sábado, por proposta de Mariano Rajoy, e está reservado aos antigos presidentes nacionais do PP que tenham contribuído de forma determinante para o fortalecimento do projecto popular.
HM.
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