Em resposta às sanções. Putin apelida Ocidente de "império das mentiras"

Ao discutir a economia do país com altos funcionários esta segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, apelidou o Ocidente de “império das mentiras", após a imposição de sanções abrangentes contra Moscovo. Em resposta ao encerramento do espaço aéreo por parte de vários países a aviões russos, a Rússia anunciou que irá interditar o seu espaço aéreo a companhias de 36 países, incluindo Portugal.

RTP /
Reuters

Esta segunda-feira, Vladimir Putin esteve reunido com vários responsáveis pela economia da Rússia e no final afirmou que o "ocidente é o império da mentira".

"(O primeiro-ministro Mikhail Mishustin) e eu discutimos este tema, naturalmente tendo em mente as sanções que a chamada comunidade ocidental - como a chamei no meu discurso, o 'império das mentiras' - está agora a tentar implementar contra o nosso país", disse Putin, citado em comunicado do Kremlin.
O leque de sanções direcionadas a Moscovo tem vindo a alargar desde que a Rússia iniciou uma ofensiva militar na Ucrânia, na quinta-feira. Da parte da União Europeia, os 27 Estados-membros concordaram no domingo com novas sanções, que incluem a exclusão de vários bancos russos do sistema financeiro Swift, o fecho a companhias aéreas russas do espaço aéreo europeu e a interdição de atividades de difusão de órgãos de comunicação social "que fazem parte do aparelho de propaganda e desinformação da Rússia".

Os Estados Unidos também anunciaram esta segunda-feira que proibiram todas as transações com o banco central da Rússia com efeito imediato – uma sanção sem precedentes. Esta decisão tem o efeito de imobilizar todos os ativos que o banco central da Rússia detém nos Estados Unidos, e também proíbe que qualquer instituição financeira ou empresa norte-americana efetue transações ou operações com o banco central, refere o comunicado divulgado antes da abertura dos mercados, o que limita a capacidade de Moscovo em defender a sua moeda e sustentar a economia.

O Governo suíço também decidiu romper com uma antiga tradição de posição neutral ao anunciar sanções contra os russos, recorrendo sobretudo ao congelamento de ativos. O presidente da confederação suíça, Ignazio Cassis, anunciou que o país vai impor as mesmas sanções económicas que a UE está a adotar. Esta onda de sanções fez o rublo russo cair 40 por cento esta segunda-feira. O Banco Central Europeu revelou que a filial europeia do Sberbank da Rússia estava "falida ou suscetível de ir à falência" devido a levantamentos de depósitos.

Em resposta ao encerramento do espaço aéreo por parte de vários países a aviões russos, a Rússia anunciou esta segunda-feira que irá interditar o seu espaço aéreo a companhias de 36 países, incluindo Portugal.


"Em resposta à proibição pelos Estados europeus de voos de aeronaves civis operadas por transportadoras aéreas russas e/ou registadas na Rússia, foi introduzida uma restrição aos voos de transportadoras aéreas de 36 Estados", anunciou a agência russa de transportes aéreos Rosaviatsia.

Entre os Estados envolvidos encontram-se todos os países da União Europeia, o Reino Unido e o Canadá.

Ainda esta segunda-feira, Moscovo disse ter capacidade para enfrentar a onda de sanções económicas que lhe foram impostas. "São sanções duras, causam problemas, mas a Rússia tem potencial suficiente para compensar os danos que estas (medidas) causam”, disse o porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov.

Peskov sublinhou que agora o importante são “as ações para minimizar as consequências”, acrescentando que não é o momento para “avaliações emocionais”. "Não tivemos motivos para duvidar da eficácia e fiabilidade do nosso Banco Central, nem temos agora”, declarou.

Para Sergei Khestanov, assessor para questões macroeconómicas da Open Broker, "enquanto não houver sanções reais às exportações russas e, acima de tudo, ao petróleo e gás, não haverá um desastre", mas "é claro que as pessoas sentirão" os efeitos.


Esta segunda-feira, a Rússia assistiu a uma verdadeira corrida aos bancos, com algumas pessoas a preferirem retirar as suas economias dos bancos.

c/agências
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