Mundo
Embarque de sírios afasta TAP de Bissau até "completa avaliação de segurança"
A suspensão da operação da TAP para Bissau, até agora composta por três ligações semanais, vai vigorar até que se conclua uma “completa avaliação das condições de segurança no aeroporto” da capital guineense, após o embarque forçado de 74 cidadãos sírios com documentação aparentemente falsa num avião que chegou anteontem a Lisboa. Enquanto a transportadora aérea redefine os seus planos de voo, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras procura agora apurar, segundo a imprensa desta quinta-feira, se o grupo de candidatos a asilo em Portugal inclui extremistas. A crise diplomática está instalada.
Uma situação “anómala” e de “contornos diplomáticos sérios” – foi nestes termos que o secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D’Ávila, se referiu ontem ao incidente da véspera no aeroporto de Bissau. O embarque forçado de mais de sete dezenas de cidadãos sírios no voo TP202, com destino a Lisboa, levou, para já, a TAP a suspender as ligações para a Guiné-Bissau. As consequências diplomáticas deste caso, essas, estão ainda a desenhar-se.“É inadmissível forçar, obrigar um país a receber
aqueles que as autoridades guineenses consideram terroristas, depois vêm dizer que estavam a viajar com passaportes falsos. Penso que
isto não é uma prática diplomática entre os dois países, para além da relação política, que é muito mais profunda. Portugal
tem apoiado a Guiné-Bissau em todos os aspetos”, reagiu o presidente da
Associação Guineense de Solidariedade Social, Fernando Ka, em
declarações à Antena 1.
O grupo de 38 homens, 15 mulheres e 21 crianças de nacionalidade síria embarcou na madrugada de terça-feira com passaportes forjados da Turquia. A tripulação e o chefe de escala da transportadora portuguesa terão sido forçados a fazê-lo pelas próprias autoridades guineenses. Debaixo da ameaça de armas.
Estes acontecimentos levaram o Ministério dos Negócios Estrangeiros a convocar o encarregado de negócios da Guiné-Bissau, a quem foi transmitido o descontentamento de Lisboa.
Em Bissau, onde se reuniu com o encarregado de negócios da Embaixada de Portugal Teles Fazendeiro, o ministro guineense dos Negócios Estrangeiros, Delfim da Silva, já veio lamentar "o sucedido".
"Vamos apurar responsabilidades e tirar consequências", prometeu o governante, acrescentando que "o que aconteceu não é do interesse da Guiné-Bissau": "Não ajuda ninguém, não ajuda (...) as relações com Portugal, nem os nossos compatriotas em Portugal, nem ajuda às relações com a Europa".
Por sua vez, o gabinete do Presidente interino Serifo Nhamadjo classificou o incidente como “lamentável”.
“O Presidente da República, como primeiro magistrado da nação, está a acompanhar a situação, com alguma preocupação. Tanto assim que já pediu um esclarecimento ao Governo. Está à espera que o Governo dê alguns esclarecimentos sobre a situação, que não passa, para já, de um incidente lamentável entre a Guiné-Bissau e Portugal”, afirmou à Antena 1 o porta-voz da Presidência guineense Lamine Djata, que considerou igualmente “lamentável” a suspensão de voos da TAP para Bissau nesta altura do ano.
SEF à procura de extremistas
Todos os cidadãos sírios pediram já asilo político, num processo que poderá prolongar-se por um a dois meses, segundo indicou ontem à agência Lusa a presidente do Conselho Português para os Refugiados. E foram “distribuídos por centros da Segurança Social, na Colónia Balnear O Século e da Santa Casa da Misericórdia”.
“Há muitos refugiados. A Europa está a confrontar-se com o problema no sentido de uma partilha de responsabilidade e no âmbito da solidariedade e da proteção internacional de receber refugiados sírios. Portugal não poderia ficar indiferente e vai cumprir com as suas obrigações”, antecipou Teresa Tito de Morais.“Há um conjunto de passageiros que se verificou que não estavam em condições de efetuarem a viagem, por não possuírem documentação regular, e tivemos, por pressão dos acontecimentos, que os embarcar”, contou o porta-voz da TAP, António Monteiro.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, lê-se na edição desta quinta-feira do Público, está no terreno para “despistar a eventual mistura de radicais” entre os candidatos a asilo. “O montante pago para chegar a Lisboa, como o mesmo foi obtido e a quem foi entregue são algumas das questões que o SEF irá tentar esclarecer, já que este tipo de operações implica o pagamento de quantias avultadas”, acrescenta o jornal.
Igualmente contactada pela Antena 1, a TAP indicou estar à procura de uma solução alternativa para os passageiros com voo marcado para esta quinta-feira, depois de uma suspensão de ligações que teve o apoio do Governo e que foi decidida com o conhecimento do Presidente da República, Cavaco Silva.
“Não temos a segurança de que em próximos voos não aconteça algo de parecido. A decisão foi a de suspender a operação para Bissau, que é composta de três voos semanais, às segundas, quintas e sábados, até uma completa avaliação das condições de segurança do aeroporto de Bissau”, justificou o porta-voz da TAP.
O grupo de 38 homens, 15 mulheres e 21 crianças de nacionalidade síria embarcou na madrugada de terça-feira com passaportes forjados da Turquia. A tripulação e o chefe de escala da transportadora portuguesa terão sido forçados a fazê-lo pelas próprias autoridades guineenses. Debaixo da ameaça de armas.
Estes acontecimentos levaram o Ministério dos Negócios Estrangeiros a convocar o encarregado de negócios da Guiné-Bissau, a quem foi transmitido o descontentamento de Lisboa.
Em Bissau, onde se reuniu com o encarregado de negócios da Embaixada de Portugal Teles Fazendeiro, o ministro guineense dos Negócios Estrangeiros, Delfim da Silva, já veio lamentar "o sucedido".
"Vamos apurar responsabilidades e tirar consequências", prometeu o governante, acrescentando que "o que aconteceu não é do interesse da Guiné-Bissau": "Não ajuda ninguém, não ajuda (...) as relações com Portugal, nem os nossos compatriotas em Portugal, nem ajuda às relações com a Europa".
Por sua vez, o gabinete do Presidente interino Serifo Nhamadjo classificou o incidente como “lamentável”.
“O Presidente da República, como primeiro magistrado da nação, está a acompanhar a situação, com alguma preocupação. Tanto assim que já pediu um esclarecimento ao Governo. Está à espera que o Governo dê alguns esclarecimentos sobre a situação, que não passa, para já, de um incidente lamentável entre a Guiné-Bissau e Portugal”, afirmou à Antena 1 o porta-voz da Presidência guineense Lamine Djata, que considerou igualmente “lamentável” a suspensão de voos da TAP para Bissau nesta altura do ano.
SEF à procura de extremistas
Todos os cidadãos sírios pediram já asilo político, num processo que poderá prolongar-se por um a dois meses, segundo indicou ontem à agência Lusa a presidente do Conselho Português para os Refugiados. E foram “distribuídos por centros da Segurança Social, na Colónia Balnear O Século e da Santa Casa da Misericórdia”.
“Há muitos refugiados. A Europa está a confrontar-se com o problema no sentido de uma partilha de responsabilidade e no âmbito da solidariedade e da proteção internacional de receber refugiados sírios. Portugal não poderia ficar indiferente e vai cumprir com as suas obrigações”, antecipou Teresa Tito de Morais.“Há um conjunto de passageiros que se verificou que não estavam em condições de efetuarem a viagem, por não possuírem documentação regular, e tivemos, por pressão dos acontecimentos, que os embarcar”, contou o porta-voz da TAP, António Monteiro.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, lê-se na edição desta quinta-feira do Público, está no terreno para “despistar a eventual mistura de radicais” entre os candidatos a asilo. “O montante pago para chegar a Lisboa, como o mesmo foi obtido e a quem foi entregue são algumas das questões que o SEF irá tentar esclarecer, já que este tipo de operações implica o pagamento de quantias avultadas”, acrescenta o jornal.
Igualmente contactada pela Antena 1, a TAP indicou estar à procura de uma solução alternativa para os passageiros com voo marcado para esta quinta-feira, depois de uma suspensão de ligações que teve o apoio do Governo e que foi decidida com o conhecimento do Presidente da República, Cavaco Silva.
“Não temos a segurança de que em próximos voos não aconteça algo de parecido. A decisão foi a de suspender a operação para Bissau, que é composta de três voos semanais, às segundas, quintas e sábados, até uma completa avaliação das condições de segurança do aeroporto de Bissau”, justificou o porta-voz da TAP.