Emissões de gases com efeito de estufa voltam a aumentar

As emissões de gases com efeito de estufa estão de novo a aumentar no planeta, apesar dos esforços requeridos no Protocolo de Quioto para as reduzir e travar o aquecimento global, indica um relatório da ONU.

Agência LUSA /

As emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que retêm calor baixaram nos anos 1990 depois do colapso do bloco soviético e do encerramento de velhas e poluentes fábricas e centrais de energia no leste da Europa.

Mas a recuperação actual dessas economias contribuiu para um aumento de 2,4 por cento das emissões de 41 países industrializados entre 2000 e 2004.

"Isto significa que os países industrializados terão de intensificar os seus esforços para implementar políticas fortes que reduzam as emissões dos gas es com efeito de estufa", disse o chefe do secretariado da ONU para a Convenção Quadro sobre as Alterações Climáticas.

Os cientistas atribuem o aumento de 0,6 graus Celsius registado no últi mo século na temperatura global, pelo menos em parte, à acumulação na atmosfera de gases com efeito de estufa e dizem que essa tendência será responsável por pe rturbações climáticas.

Ao abrigo do Protocolo de Quioto (1997), 35 países industrializados com prometeram-se baixar os níveis de emissões de 1990 em 5 por cento em média até 2 012.

Os Estados Unidos, principal poluidor do planeta, rejeitou este acordo.

Entre 1990 e 2004, as emissões de todos os países industrializados baix aram 3,3 por cento, sobretudo devido a uma redução de 36,8 por cento no antigo b loco soviético, segundo um relatório da ONU.

Porém, desde 2000 "essas economias em transição" aumentaram as emissões em 4,1 por cento.

"Dos 41 países industrializados, 34 aumentaram as emissões entre 2000 e 2004", refere o documento.

Nos Estados Unidos, fonte de dois quintos dos gases com efeitos de estu fa de todo o planeta, as emissões cresceram 1,3 por cento no mesmo período e qua se 16 por cento entre 1990 e 2004.

O grupo de 41 países definidos como industrializados na Convenção Quadr o das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (1992) não inclui nações em r ápido desenvolvimento do Terceiro Mundo como a China e a Índia.

Entre os países subscritores do Protocolo de Quito, a Alemanha reduziu as suas emissões em 17 por cento entre 1990 e 2004, o Reino Unido em 14 por cent o e a França em cerca de 1 por cento, diz a ONU.

Segundo um relatório divulgado na semana passada pela Comissão Europeia , Portugal é um dos sete Estados-membros da UE sem perspectivas de cumprir os ob jectivos de Quioto, mesmo recorrendo a medidas suplementares para reduzir as emi ssões.

De acordo com as projecções de Bruxelas, mesmo recorrendo a políticas e medidas adicionais, aos denominados "mecanismos de Quioto" e à reflorestação, P ortugal apresentará em 2010 um aumento das emissões de gases com efeito de estuf a de 31,9 por cento, quando o seu compromisso é de não exceder os 27 por cento.

Entre os países incumpridores, que mesmo nas perspectivas mais optimist as não esperam cumprir os objectivos de Quioto, apenas a Espanha, de forma desta cada, e a Áustria ficam mais longe dos objectivos traçados que Portugal.

Bélgica, Dinamarca, Irlanda e Itália são os outros quatro Estados-membr os que também não esperam atingir os objectivos com os quais se haviam compromet ido.

Numa nota positiva, a ONU afirma que o mundo industrializado está a tor nar-se mais eficiente do ponto de vista energético: entre 2000 e 2004 foram prec isos menos 7 por cento de gases com efeito de estufa para produzir um dólar de p roduto interno bruto (PIB).

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