Empresário holandês leva oito anos de cadeia por venda de armas à Libéria
Um tribunal de Haia condenou hoje um empresário holandês a oito anos de cadeia por ter vendido armas ao regime de Charles Taylor, na Libéria, violando o embargo imposto pelas Nações Unidas àquele país.
Guus van Kouwenhoven, um negociante na área das madeiras, foi, no entanto, absolvido das acusações de crimes de guerra, porque o tribunal não conseguiu provar qualquer ligação às atrocidades cometidas durante os 14 anos de guerra civil na Libéria, de acordo com a BBC Online.
Segundo o tribunal, o empresário, de 63 anos, vendeu armas ao regime do ex-Presidente liberiano Charles Taylor em troca de concessões para a exploração de florestas.
A acusação pedia 20 anos de prisão e uma multa de 450.000 euros.
O arguido negou as acusações e os seus advogados afirmaram que as testemunhas de acusação foram pagas.
De acordo com um relatório da ONU, enviado para o tribunal de Haia, o empresário, conhecido na Libéria como "Mr. Gus", fazia parte do "círculo próximo" de Taylor.
Segundo a acusação, as milícias contratadas pelas empresas de Kouwenhoven "terão participado em massacres de civis em que nem os bebés foram poupados" e as armas que usavam "foram alegadamente fornecidas pelo empresário holandês".
A lei holandesa permite o julgamento no país de pessoas acusadas de crimes de guerra cometidos no estrangeiro, desde que tenham nacionalidade holandesa ou residam na Holanda.
Charles Taylor, que aceitou abandonar o país e exilar-se na Nigéria, em 2003, foi detido no início deste ano na sequência de um mandado do Tribunal Penal Internacional para a Serra Leoa, que o acusa de crimes de guerra e contra a humanidade neste país vizinho da Libéria, através do apoio dado aos rebeldes da Frente Revolucionária Unida.