Empresários sul-coreanos vão visitar complexo de Kaesong para discutir aumentos salariais
Seul, 06 abr (Lusa) -- Empresários sul-coreanos vão visitar o complexo industrial conjunto de Kaesong para discutir a decisão unilateral por parte das autoridades norte-coreanas de aumentar os salários dos operários, informou hoje Seul.
O porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, que gere os assuntos intercoreanos, Lim Byeong-cheol, disse hoje que a comitiva, que integra 13 empresários, vai deslocar-se ao parque industrial na terça-feira.
Está previsto um encontro com outros empresários para debater de que forma devem responder à notificação por parte da Coreia do Norte da sua decisão de aumentar o salário mínimo dos operários norte-coreanos do complexo de Kaesong de 70,35 para 74 dólares norte-americanos, com efeitos retroativos a março, a pagar a partir da próxima sexta-feira, dia 10 de abril.
Trata-se de uma subida de 5,18% -- valor que supera assim o teto fixado pela Coreia do Sul como referência para a atualização salarial anual.
Seul instruiu as empresas que operam em Kaesong no sentido de não atualizarem os salários dos operários, advertindo mesmo que as firmas que aumentarem os vencimentos serão alvo de penalizações.
Desde que Pyongyang anunciou que pretendia aumentar unilateralmente os salários de base dos 53 mil trabalhadores norte-coreanos em mais de 100 empresas sul-coreanas presentes em Kaesong, que Seul tem tentado debater a questão com as autoridades do Norte.
O Sul rejeitou a ideia, com base no acordo existente de que qualquer aumento salarial tem de ser acordado pela uma comissão conjunta gestora do parque, situado perto da fronteira na Coreia do Norte.
O Norte recusou dialogar com o Sul sobre esta questão.
A medida norte-coreana representará um aumento do salário médio que o Sul paga a cada trabalhador, incluindo subsídios, segurança social e horas extraordinárias, de 155 para 164 dólares.
As firmas sul-coreanas a operar em Kaesong têm uma fonte de trabalho barato e que fala coreano, bem como condições especiais do regime de Pyongyang.
Inaugurado em 2004 como um símbolo da cooperação intercoreana, o parque tem sofrido com os confrontos regulares entre as duas Coreias e, em 2013, o Norte fechou o local durante cinco meses.
Quando reabriu em setembro, os dois lados criaram uma comissão conjunta para resolver problemas operacionais futuros.
As relações entre os dois vizinhos deterioraram-se desde 2010, ano marcado por dois incidentes graves: o torpedeamento em março de uma corveta sul-coreana, atribuído a Pyongyang por um inquérito internacional (46 mortos) e o bombardeamento de uma ilha sul-coreana pelo Norte em novembro (quatro mortos).
As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-53 terminou com a assinatura de um armistício e não de um tratado de paz.