Empresas norte-americanas em Xangai registam "menor nível" de otimismo de sempre

A confiança das empresas norte-americanas a operar em Xangai, a `capital` económica da China, caiu para o nível mais baixo de sempre, com apenas 55% a afirmar que está "otimista ou ligeiramente otimista" sobre o futuro no país.

Lusa /

Segundo o relatório anual da Câmara de Comércio dos Estados Unidos em Xangai, esta é a taxa mais baixa de sempre e representa uma queda de 23%, em relação a 2021.

"Embora a maioria das empresas norte-americanas continue a ter lucros, as medidas de prevenção epidémica estão a afetar a confiança das empresas e a causar uma queda no investimento", lê-se no relatório.

O documento refere que a recuperação registada após a paralisação económica ocorrida no início de 2020, quando a China conseguiu efetivamente suprimir os surtos iniciais de covid-19, foi "sufocada" pelas rígidas medidas de confinamento impostas este ano.

A deterioração das relações entre Washington e Pequim e as "pressões macroeconómicas" são outros fatores que o relatório cita para justificar o "menor índice histórico de otimismo" das empresas sobre as perspetivas de faturamento e o ambiente de negócios.

A proporção de empresas que espera obter um aumento das receitas em 2022 é de 47%, o que representa uma queda de 29%, em relação aos dados do ano passado, e o menor nível dos últimos dez anos.

O número de empresas norte-americanas que mantém a China como principal destino dos seus investimentos caiu de 27% para 18%.

Um terço das empresas inquiridas redirecionou para outros países o capital que tinha previsto alocar para as suas operações na China, o dobro de há ano, embora apenas 17% estejam a considerar deixar a China ou reduzir a presença no país.

Perante o deteriorar das perspetivas de negócio, a resposta das autoridades não está a satisfazer as empresas. Apenas 17% acredita que a regulação melhorou no último ano para as empresas estrangeiras, enquanto a proporção das que acham que piorou subiu para 36%.

Apenas 37% das empresas descrevem o marco regulatório local como "transparente", a menor taxa dos últimos anos, enquanto o número de empresas que relatam favoritismo do Governo em relação às empresas locais já está no máximo (56%), desde 2017.

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